Denúncias de abuso sexual contra João de Deus ultrapassam 450 casos

Somados, depoimentos recebidos pelos Ministérios Públicos de Goiás e de São Paulo chegam a 458 ocorrências até a tarde desta terça (11/12)

atualizado 11/12/2018 20:19

Fernando Caixeta/Metrópoles

O número de mulheres que dizem ter sido abusadas sexualmente por João de Deus ultrapassou 450 relatos. Um dia após o Ministério Público de Goiás (MPGO) criar uma força-tarefa para reunir os depoimentos, 206 vítimas contatam o que teriam sofrido nas mãos do líder espiritual.

Dos 206 relatos recebidos pela força-tarefa em Goiás até o momento, 156 foram feitos por meio do canal exclusivo criado para receber os depoimentos, o e-mail [email protected]. Outras 252 pessoas denunciaram o médium para o Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ainda não houve comunicação oficial entre os órgãos nos dois estados e pode existir duplicidade de casos.

De acordo com o balanço divulgado pelo MPGO no fim da tarde desta terça-feira (11/12), duas das mulheres são estrangeiras: uma vive nos Estados Unidos e a outra, na Suíça.

Além das estrangeiras, as vítimas se identificaram como moradoras de Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que fez dois atendimentos nesta terça (11).

Todas as possíveis vítimas estão sendo orientadas a procurar o Ministério Público de seu estado, que ficará responsável pela coleta das provas. Em seguida, essas informações serão enviadas para a força-tarefa do MPGO, que conta com cinco promotores de Justiça e duas psicólogas.

Além do endereço de e-mail, as denúncias podem ser feitas pelos telefones (62) 3243-8051 e (62) 3243-8052 ou presencialmente.

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Investigações seguem em São Paulo
O Ministério Público de São Paulo também criou uma força-tarefa, com seis promotores e uma equipe de apoio para apurar denúncias de abusos sexuais contra o médium.

Os depoimentos começaram a ser colhidos nesta terça (11/12). Três mulheres serão ouvidas por dia até sexta-feira (14). O órgão entrará em recesso, e as oitivas retornarão em 7 de janeiro. Foram recebidos pelo MPSP, apenas nessa segunda (10), 12 relatos por e-mail e 40 via redes sociais, em São Paulo. Todas as vítimas serão ouvidas em sigilo, suas identidades não serão divulgadas.

O escândalo veio à tona no programa Conversa com Bial veiculado na madrugada de sábado (8). Confira relatos:

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As promotoras reforçam que as mulheres não devem se intimidar por temerem falta de punição. “Pela lei, a palavra da vítima é prova, é reconhecida como meio de prova e tem especial relevância nos crimes de natureza sexual. Pode levar a uma condenação”, disse a promotora de Justiça do Núcleo de Gênero do Ministério Público paulista, Valéria Scarance. “Você percebe que é uma narrativa com verdade e sede de justiça”, acrescentou a promotora Maria Gabriela Prado.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) também vai receber denúncias de vítimas de crimes sexuais supostamente praticados pelo médium João de Deus. Os registros poderão ser feitos pessoalmente na sede da instituição, no Eixo Monumental, ou por meio da ouvidoria, que fará o encaminhamento ao MPGO.

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