De onde vêm os nomes dos blocos de Carnaval, hein?

Lupa conferiu os títulos mais curiosos e criativos de tradicionais agremiações de SP, RJ e PE. Confira o resultado da pesquisa

atualizado

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Plínio Machado/Divulgação
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1 de 1 PLINIO-MACHADO - Foto: Plínio Machado/Divulgação

No Carnaval de rua, sempre há um pouco de tudo. Bloco que surgiu a partir de gênios da literatura, de cenas de desenhos animados, da loucura alheia e até mesmo de uma boa ressaca à beira-mar. Será que você conhece a origem dos blocos de Carnaval que frequenta? Sabe como eles surgiram e como foram batizados?

Foi pensando nisso que a Lupa preparou uma série sobre a história de seis blocos de rua: dois de São Paulo, dois do Rio de Janeiro e dois de Pernambuco. Boa folia!

Fernando Frazão/Agência Brasil


Que Merda é Essa? – Rio de Janeiro (RJ)

Eis aí um caso em que a lenda sobre o bloco venceu a verdade… Conta-se que, em 1995, um grupo pequeno se reuniu em torno de uma Kombi, em Ipanema, na Zona Sul do Rio. No sentido contrário, vinha o bloco Simpatia É Quase Amor, um dos mais tradicionais do Carnaval carioca. Ao avistarem aquele pequeno grupo de músicos, os foliões do Simpatia teriam perguntado: “que merda é essa?” A história entrou para o anedotário do Rio de Janeiro, mas não é bem assim. O nome do bloco surgiu inspirado em um outro, homônimo, lá de Pernambuco.

que merda é essa
Aliás, há uma verdadeira “nação quemerdense” (!), nas palavras de Floriano Torres, que organiza o bloco carioca. São pelo menos 15 grupos com o mesmo nome em todo o Brasil, e ele pretende organizar um encontro de todos os “Que Merda É Essa?”.

O bloco carioca desfilou por Ipanema nesse domingo (11/2). Pouco antes, ocorreu o baile infantil organizado pela agremiação, o “Que Caquinha É Essa?”.

 

Donzelinhos dos Milagres – Olinda (PE)

Donzelinhos/Reprodução
Em janeiro de 1932, um grupo de rapazes se encontrou para beber e dançar na Praia dos Milagres, em Olinda (PE), e, em pouco tempo, a noite virou dia. Animados e alcoolizados, os amigos decidiram que percorreriam a cidade vestidos de “senhoritas” ou usando fantasias infantis, entre elas uniformes escolares.

O primeiro grupo era composto por quem tinha bebido mais. O segundo, pelos mais sóbrios. E, assim, a turma se consolidou. Entre 1932 e 1957, os Donzelinhos só deixaram de desfilar duas vezes: em 1945, quando mais da metade de seus 40 integrantes foram convocados para a Segunda Guerra Mundial, e em 1951, quando um de seus mais ilustres integrantes, Expedido de Souza e Silva, morreu.

Entre 1957 e 2012, não houve Carnaval dos Donzelinhos. O estandarte do bloco chegou inclusive a ser jogado no mar da Praia dos Milagres, no mesmo lugar onde havia nascido. Mas, há seis anos, um grupo retomou a tradição e desfilou pelas ruas de Olinda no sábado de Carnaval.

 

Arrianu Suassunga – São Paulo (SP)

Plínio Machado
Todos que mexem com Carnaval de rua sabem que um dos momentos de maior tensão é a hora de registrar o bloco na prefeitura. Será que vai ter horário? Qual será o lugar do desfile? Vão autorizar? Agora imagine chegar a esse mesmo momento sem ter o nome do bloco! Foi isso que aconteceu com o Arrianu Suassunga, que, desde 2013, mistura a cavalhada com o maracatu, dois ritmos típicos do Nordeste, e anima as ruas de São Paulo.

No dia em que seus criadores foram à prefeitura, houve um silêncio sepulcral diante da pergunta sobre o nome do bloco. E foi nesse momento que Leo Giardini, um dos idealizadores da festa, berrou: “Arrianu Suassunga!”. A brincadeira, que estava toda ensaiada, trouxe o bom humor do homenageado, o escritor Ariano Suassuna, morto em 2014, à sala da prefeitura. Entre risos, o bloco foi autorizado. Neste ano, o desfile foi no pré-Carnaval, ocorreu no último dia 3.

 

Tá Pirando, Pirado, Pirou! – Rio de Janeiro (RJ)

Divulgação
E quando o bloco de Carnaval surge no hospital? Pois é. Aconteceu no Rio de Janeiro, em 2004, quando pacientes e profissionais da rede pública na área de saúde mental decidiram cair na folia. A ideia para o nome do bloco partiu de Gilson Secundino, à época cliente do Instituto Municipal Phillippe Pinel, localizado na Zona Sul do Rio e considerado um dos principais hospitais psiquiátricos do Brasil.

“Se é pra fazer Carnaval, não vamos fazer só pra quem já pirou e está internado aqui no Pinel. Vamos pra rua, brincar com quem ainda tá pirando. Tá pirando, pirado, pirou! Tá todo mundo junto!”, disse Secundino.

O bloco desfilou pelas ruas adjacentes ao Pinel no último dia 4, homenageando dona Ivone Lara, a dama do samba – que, entre 1947 e 1977, trabalhou como enfermeira de hospitais psiquiátricos.

 

Enquanto Isso Na Sala da Justiça – Olinda (PE)

Divulgação

“Enquanto isso… na sala da Justiça” era um bordão da TV nos anos 1980 e 1990. Servia para separar as cenas mais impactantes do desenho animado Liga da Justiça. Em 1995, quando decidiram fundar um bloco de Carnaval, os criadores se lembraram da equipe de super-heróis da editora americana DC Comics e acharam que se encaixava bem com o que pretendiam: ser heróis que atravessariam gerações!

O bloco foi bolado no Sítio Histórico de Olinda, por moradores da região, e, a princípio, reunia jovens dispostos a se fantasiar de Superman, Batman, Aquaman, Mulher-Maravilha e assim por diante. Hoje, o bloco arrasta milhares de personagens e abriu espaço para a criatividade. Usando o prefixo “super”, os foliões costumam aparecer no bloco fantasiados de Super Bonder, supermercado, supérfluo e assim por diante. O desfile deste ano ocorreu na manhã desse domingo (11/2), no Alto da Sé.

 

Virgens do Minhocão – São Paulo (SP)

Reprodução
Construído na década de 1970, o polêmico viaduto de São Paulo demorou mais de 40 anos para se tornar o berço de um bloco de Carnaval paulista. Em janeiro de 2014, um grupo de amigos se reuniu perto do Minhocão e decidiu criar um novo cordão para cair na folia. A inspiração veio de dois blocos carnavalescos de João Pessoa (PB): as virgens do Tambaú e as Muriçocas do Miramar.

Assim como acontece nos blocos paraibanos que serviram de inspiração, a regra do Virgens é clara: todo mundo que participa do bloco precisa estar travestido. Menino vira menina, menina vira menino, e o bloco ganha o Minhocão, cantando seu hino e marchinhas tradicionais.

“As Virgens resolveram unir o símbolo fálico do Minhocão com a proposta do bloco travestido. Daí o florescimento das Virgens do Minhocão. A ideia é fazer uma brincadeira foliona, com todas as possibilidades humorísticas originadas nas trocas de gêneros”, explicam seus organizadores.

O desfile do bloco também aconteceu no pré-Carnaval, em 27 de janeiro.

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