
De olho no "pós-Lula" e em 2030, partidos discutem formação de federações
Partidos discutem atuar em conjunto de olho na disputa de 2030 após desempenho tímido nas eleições
27/10/2026 04:30

De olho no futuro, e passadas as eleições, o PSB e o PDT passaram a discutir a formação de federação para fortalecer a bancada e se preparar para as eleições de 2030 em um cenário político sem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito no último domingo para um quarto mandato.
Depois do primeiro turno, o presidente Carlos Lupi reuniu os correligionários em Brasília para tratar do futuro do partido. O clima era de divisão, segundo pessoas presentes ouvidas pelo Metrópoles.
A federação com o partido do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) agrada uma ala do partido — em especial os deputados — que já ensaia os primeiros passos. Por exemplo, na nota conjunta em apoio à reeleição do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), assinada pelas duas legendas.
Do lado do PSB, o presidente da sigla, João Campos, é um dos entusiastas da aliança. A formação de uma federação tem duração de pelo menos 4 anos e, na prática, as legendas atuam como um só partido, podendo ser um “balão de ensaio” para uma possível fusão.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesÉ isso que defendem alguns nomes do PDT, em busca da sobrevivência do partido. Sob cautela, um líder partidário disse à reportagem que a sigla precisa pensar em um projeto político conjunto e duradouro de “centro. Não de centrão” de olho nas eleições de 2030, e em um cenário em que a centro-esquerda não contará mais com o seu principal expoente: Lula.
O petista, que completa 81 anos nesta terça-feira (26/10), tem repetido que essa foi sua última campanha presidencial. Sem Lula, o grupo de partidos da base e o próprio PT deverão travar uma disputa pelo espólio político do atual presidente, mas o movimento não se limita à centro-esquerda. O PSDB, por exemplo, também estuda cenários para o futuro.
O partido comandado por Aécio Neves, que protagonizou a oposição ao PT por anos até a acensão do bolsonarismo, conseguiu sair melhor nestas eleições, com dois governadores eleitos e, junto ao Cidadania com quem tem uma federação desde 2022, elegeu 11 deputados, superando a cláusula de barreira.
Com a situação confortável, Aécio foi procurado por alguns parlamentares para sondar possíveis federações futuras, segundo relatos feitos à reportagem. O tucano, porém, não bateu nenhum martelo, mas também não fechou nenhuma porta, inclusive com o PDT.
O PDT é um dos partidos que mais saiu perdendo nestas eleições, com somente 6 deputados federais eleitos. Sem atingir a cláusula de barreira, o partido perde acesso ao Fundo Partidário e deixa de ter peças exibidas na propaganda eleitoral gratuita, além de ter uma cadeira no colégio de líderes.
Já o PSB manteve o número da atual bancada, com 15 deputados. Juntas em uma eventual federação, poderiam ter 21 deputados, sendo a oitava maior bancada da Casa. A correlação de forças a partir de 2027 no Congresso tende para a direita, independente do resultado deste domingo.
As bancadas da Câmara em 2027
- PL: 121
- Fed. PT/PCdoB/PV: 88
- Fed. União/PP: 87
- PSD: 43
- Republicanos: 41
- MDB: 36
- Podemos: 27
- PSB: 15
- Fed. Psol/Rede: 15
- Fed. PSDB/Cidadania: 11
- Novo: 10
- Fed. PRD/Solidariedade: 7
- PDT: 6
- Avante: 5
- Missão: 1
O PL de Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula, fez a maior bancada tanto na Câmara (121) quanto no Senado (28). Partidos que declararam apoio ao senador no segundo turno, como o Republicanos, a Federação União/PP e o Podemos somam mais 155 deputados e 20 senadores.
Modelo de federação
Modelo criado em 2021, atualmente há 5 federações registradas no Tribunal Superior Eleitoral. Dessas, três foram formadas em 2022: Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV); Psol e Rede; PSDB e Cidadania. Já a Federação Renovação Solidária (Solidariedade e PRD) foi deferida em 2025, enquanto a mais recente, União Progressista (formada por União Brasil e PP), é de 2026.
O modelo foi criado durante a reforma eleitoral aprovada em 2021 como uma forma de juntar forças entre siglas que tenham visões semelhantes, mas o modelo se provou desafiador para muitas delas.
O principal entrave se dá nos Estados em que, a depender do cenário, os partidos que compõem a federação não estão necessariamente no mesmo grupo, causando rachas internos que levam à saída de quadros.
Foi o que aconteceu, por exemplo, na Fed. União PP, em estados como a Paraíba. Na região, tanto o União quanto o PP tinham pré-candidatos ao governo: o senador Efraim Filho e o governador Lucas Ribeiro, respectivamente.
Enquanto o parlamentar era mais próximo à oposição, o chefe do Executivo é aliado de Lula, levando à migração do senador para o PL. Ele acabou derrotado por Ribeiro no primeiro turno.
