A nova rodada da pesquisa Datafolha sobre o perfil ideológico da população, divulgada neste sábado (4/6), aponta que o brasileiro está mais tolerante em relação à ideia de que a homossexualidade deve ser aceita por toda a sociedade. De acordo com o levantamento, 79% das pessoas concordam com a afirmação.
O índice cresceu cinco pontos percentuais comparado à última pesquisa, feita em 2017, quando 74% apoiavam a ideia. Em relação ao primeiro levantamento, de 2013, o aumento foi de 12 pontos. Na época, 67% da população declaravam estar de acordo.
A rejeição, representada pelo número de pessoas que acreditam que a homossexualidade deve ser desencoradaja, caiu de 19% para 16%. Outros 6% não opinaram.
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Na segmentação por gênero, a pesquisa mostra que a rejeição é maior entre homens (17%) do que entre as mulheres (14%). Já no recorte por idade, o nível de intolerância aumenta de acordo com a geração: 7% (16 a 24 anos), 12% (25 a 34 anos), 15% (35 a 44 anos), 18% (45 a 59 anos) e 22% (60 anos ou mais).
A rejeição também apresenta maiores índices entre a população com ensino fundamental (22%) e cai à medida que se eleva a escolaridade: nível médio (14%) e superior (9%).
Entre os religiosos, evangélicos foram os que apresentaram mais resistência ao tema, com 27%, seguido dos católicos, 12%, e espíritas, 9%.
A pesquisa entrevistou 2.556 pessoas acima de 16 anos em 181 cidades do país, entre os dias 25 e 26 de maio. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob número BR-05166/2022. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos.
O Datafolha mede o perfil ideológico do brasileiro a partir de uma metodologia de pontuação levando em consideração as respostas dos entrevistados sobre diferentes questões sobre comportamento e valores quanto à economia.
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Em época de eleição, as pesquisas eleitorais são, quase sempre, termômetros importantes para acompanhar o cenário político. No entanto, não é raro observar resultados divergentes entre pesquisas que foram realizadas durante o mesmo período. Isso, na verdade, não aponta erro, mas explica como certas metodologias adotadas por empresas podem influenciar resultados
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Quando não se entende como os estudos são feitos, é comum achar que institutos podem estar tentando manipular resultados. Afinal, por qual motivo as pesquisas eleitorais são tão diferentes e erram tanto, não é mesmo? A resposta é simples: dependendo do local, da escolha de abordagem e até do momento em que as pesquisas são feitas, os resultados podem divergir
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As pesquisas eleitorais são um retrato do momento que os dados foram coletados. Elas não funcionam em tempo real. Por exemplo, se a intenção de voto para um candidato A é alta, mas no dia seguinte as coisas mudam pois ele se envolveu em polêmicas, a pesquisa estará desatualizada e não corresponderá mais à intenção do público
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A metodologia utilizada também pode ser uma variante. As perguntas feitas pelas empresas e até mesmo a abordagem utilizada influenciam na resposta do público
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Por exemplo, levemos em consideração que a empresa B escolheu realizar a pesquisa eleitoral entregando uma lista com nome dos candidatos para que a pessoa possa circular. A empresa C optou por abordar verbalmente pessoas na rua para descobrir a intenção de voto delas. A chance da empresa A conseguir mais participantes na pesquisa é superior às chances da empresa C, e isso já influencia no resultado de uma para a outra
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Além disso, apresentar estímulos que podem afetar a resposta do eleitor, fazer a entrevista pessoalmente, por e-mail ou por telefone e até a ordem das palavras pode desestimular ou estimular a participação. Levando em consideração que várias empresas realizam enquetes, obviamente os resultados serão conflitantes
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O local onde as pesquisas são feitas também pode fazer diferença. Geralmente, áreas onde a renda dos habitantes é baixa, determinados partidos tendem a ganhar, assim como locais onde a renda dos habitantes é mais alta, a preferência por outro determinado partido é nítida. Se um instituto conseguir entrevistar mais pessoas em um local e não no outro, o resultado também será influenciado
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Ou seja, em termos práticos, as empresas, muitas vezes, não estão erradas. As diferenças metodológicas das pesquisas é que definem o resultado
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Apesar de o que possa parecer, as diferenças entre as pesquisas não são mal vistas. Elas, na verdade, ajudam os institutos a compararem os resultados e melhorarem a abordagem para obter resultados mais exatos no futuro
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