Dark Horse: base ataca e oposição desvincula Flávio de operação contra produtora

Nos bastidores, aliados evitaram se manifestar para não vincular senador ao caso, que negou relação entre a investigação e o filme

atualizado

metropoles.com

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Thiago Bonna/Metrópoles
Pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro visita Hospital da Baleia em Belo Horizonte
1 de 1 Pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro visita Hospital da Baleia em Belo Horizonte - Foto: Thiago Bonna/Metrópoles

A operação da Polícia Civil de São Paulo contra a Karina Gama, produtora responsável por Dark Horse, filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, levou aliados de Flávio Bolsonaro (PL) a atuar nos bastidores para evitar que o senador e pré-candidato à Presidência seja associado às investigações.

Segundo apurou o Metrópoles, a estratégia tem sido justamente não alimentar o assunto publicamente, numa tentativa de desvincular seu nome do caso.

Interlocutores relatam que parlamentares e integrantes da base bolsonarista decidiram não fazer publicações ou manifestações públicas sobre a operação. A avaliação é que qualquer mobilização nas redes poderia reforçar a associação entre Flávio e a investigação envolvendo a Go Up Entertainment, produtora do longa.

Até o momento, a única manifestação pública da oposição partiu do próprio senador. Durante agenda em Belo Horizonte nesta segunda-feira (1º/6), Flávio afirmou que a investigação “não tem nada a ver com o filme” e negou qualquer ligação entre a produção cinematográfica e os contratos sob apuração.

Ele também disse esperar que a Polícia Civil de São Paulo não esteja sendo utilizada para “fins eleitoreiros”.

A operação investiga suspeitas de desvio de recursos de um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). Segundo a Polícia Civil, parte dos valores pode ter sido destinada à Go Up Entertainment, produtora responsável por Dark Horse.

Nos bastidores, aliados sustentam que a apuração trata de possíveis irregularidades em contratos ligados ao programa de Wi-Fi da gestão paulistana, e não da produção do filme. Por isso, a orientação tem sido evitar manifestações públicas que possam ampliar o vínculo político entre o caso e o entorno da família Bolsonaro.

Governistas reagem

Após a operação, integrantes do governo passaram a associar diretamente Flávio Bolsonaro ao caso nas redes sociais.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) citou nominalmente a produtora Karina Gama e resgatou reportagem do Intercept Brasil que revelou tratativas de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a obtenção de R$ 61 milhões destinados à produção de  Dark Horse.

“Já pedimos à Interpol para investigar onde estão os R$ 61 milhões que o Flávio pediu ao Vorcaro”, escreveu o parlamentar ao comentar a operação.

Na mesma linha, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), também relacionou a investigação ao entorno da família Bolsonaro. “Quanto mais se investiga, mais escandalosas ficam as conexões entre Daniel Vorcaro, Banco Master e a família Bolsonaro”, afirmou o deputado em publicação nas redes sociais.

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