Daniel Silveira teria gravado conversas com Bolsonaro, diz deputado

Afirmação foi feita pelo deputado federal Felício Laterça (PSL-RJ). Parlamentar disse que Silveira tinha "mau hábito" de registrar conversas

atualizado 22/02/2021 17:23

Daniel Silveira e Jair Bolsonaro (1)Reprodução/Redes Sociais

O deputado federal Felício Laterça (PSL-RJ) afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais no domingo (21/2), que o parlamentar Daniel Silveira (PSL-RJ), preso na última semana, teria gravado conversas pessoais com o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Silveira foi preso por agentes da Polícia Federal (PF) na terça-feira (16/2), após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão de Moraes veio com a publicação de um vídeo no qual o parlamentar aparece atacando ministros do STF.

Felício Laterça disse que Silveira tinha o “mau hábito” de gravar conversas com parlamentares dentro da Câmara dos Deputados. Segundo o deputado, o colega de partido também disse ter registrado um diálogo com o presidente Jair Bolsonaro.

“Ele me revelou que já tinha feito algumas gravações de algumas pessoas. Tinha esse mau hábito. Acabou gravando conversas de parlamentares dentro do ambiente da Câmara, valendo-se disso para se autopromover. Ele disse para mim que também havia gravado o presidente da República. Falei: ‘Meu Deus, que homem é esse?”

Laterça pede que os celulares de Silveira sejam apreendidos para comprovar que a afirmação é verdadeira.

“Ele é uma negação. Quem sabe o que não será revelado com apreensão dos seus celulares? Vamos lá ver se descobrem gravação de conversas dele com o nosso presidente da República. O presidente da República lavou as mãos, está prejudicando o governo”, disse.

Prisão de Daniel Silveira

No fim da noite de terça-feira, a Polícia Federal (PF) foi até a casa de Daniel Silveira, no Rio de Janeiro, com ordem de prisão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes. A medida foi solicitada após o deputado publicar, nas redes sociais, um vídeo, transcrito pelo Metrópoles, atacando os ministros do STF – em especial Edson Fachin.

O magistrado também determinou que o YouTube bloqueie imediatamente o vídeo de Silveira da plataforma, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

Em uma transmissão ao vivo realizada no momento da prisão, Silveira disse que Alexandre de Moraes entrou em uma “queda de braço” e “rasgou a Constituição Federal”. O deputado também afirmou que vai “mostrar” quem são os ministros do STF.

“Tenha certeza: a partir daqui, o jogo evoluiu um pouquinho. Eu vou dedicar cada minuto do meu mandato a mostrar quem é Alexandre de Moraes, a mostrar quem é [Edson] Fachin, quem é Marco Aurélio Mello, quem é Gilmar Mendes, quem é [Dias] Toffoli, quem é [Ricardo] Lewandowski. Vou colocar um por um de vocês em seus devidos lugares”, assinalou o congressista.

Silveira é investigado pelo STF no inquérito que mira financiamento e organização de atos antidemocráticos em Brasília. Em junho, ele foi alvo de buscas e apreensões pela Polícia Federal e teve o sigilo fiscal quebrado por decisão do ministro Alexandre de Moraes.

O deputado negou, em depoimento, o fato de produzir ou repassar mensagens que incitassem animosidade das Forças Armadas contra o Supremo ou os ministros.

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