Damares: “Eu sei o que é estar no colo de um pedófilo”

A ministra fez a declaração após participar de reunião da ONU, e disse que ataque foi a todas as vítimas de abusos

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atualizado 25/02/2019 13:03

Após discursar na 40ª reunião do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), na Suíça, nesta segunda-feira (25/2), a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, se emocionou ao lembrar das piadas feitas com ela a respeito da história que contou em um vídeo. Nas imagens, a ministra contava que havia encontrado a imagem de Jesus Cristo em um pé de goiabeira. O encontro aconteceu quando Damares tinha 10 anos e pensava em se matar devido aos abusos sexuais que havia sofrido.

As informações são do jornal O Globo. A ministra declarou que, ao zombarem da história e do depoimento feito por ela, não zombaram apenas dela, mas também de milhões de meninas que são abusadas no Brasil.

Segundo Damares, sua declaração anterior sobre o Brasil ser um dos piores países para ser menina, se deve ao elevado número de abusos. “Eu sei o que é estar no colo de um algoz, eu sei o que é estar no colo de um pedófilo, e o que a gente quer é que isso não aconteça mais no Brasil. Riram das meninas e meninos abusados. Quiseram rir de uma ministra mas riram das centenas e milhares, e eu vou dizer, milhões de crianças abusadas no Brasil.”

Venezuela
Durante o discurso na reunião da ONU, Damares apelou em Genebra para que a comunidade internacional congregue esforços com o objetivo de pacificar a crise política pela qual passa a Venezuela.

“Não poderia deixar de expressar a preocupação do governo brasileiro com as persistentes e sérias violações de direitos humanos cometidas pelo regime ilegítimo – repito, regime ilegítimo – de Nicolás Maduro”, disse.

A ministra acrescentou que o governo brasileiro está comprometido com as políticas de defesa dos direitos humanos, a democracia e o pleno funcionamento do Estado de direito.

“O Brasil uniu-se aos esforços do presidente encarregado, Juan Guaidó, não para intervir, mas para prover imediata ajuda humanitária ao povo venezuelano. O Brasil apela à comunidade internacional a somar-se aos esforços de liberação internacional da Venezuela, reconhecendo o governo legítimo de Guaidó e exigindo o fim da violência das forças do regime contra sua própria população.”

Direito à vida
Segundo Damares, o governo federal irá resguardar o direito à vida. “Defenderemos tenazmente o pleno exercício por todos do direito à vida, desde a concepção até a segurança da pessoa.”
“Quero assegurar a todos o compromisso inabalável do governo brasileiro com os mais altos padrões de direitos humanos, com a defesa da democracia e com o pleno funcionamento do Estado de Direito”, enfatizou.

Feminicídio
A ministra ressaltou que um dos principais focos da sua gestão será o enfrentamento à violência contra a mulher. “Não pouparemos esforços no enfrentamento da discriminação e da violência contra as mulheres, sobretudo o feminicídio e o assédio sexual.”

“Vamos alcançar, portanto, mulheres, muitas vezes invisíveis, que integram povos e comunidades tradicionais, como as mulheres indígenas, quilombolas, pescadoras artesanais, as quebradeiras de coco, as ribeirinhas, as ciganas, entre outras.”

Demarcação de terras
Outra questão abordada pela ministra foi a mudança no processo de demarcação de terras indígenas, que avaliou como “especialmente positiva”, garantindo que “em nada afetará o direito constitucional dos povos indígenas”.

A nova dinâmica vigora desde o dia 1º de janeiro, data de edição da medida provisória que transferiu para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a função.

Agenda
De acordo com a assessoria do ministério, além das atividades do conselho, compõem a agenda de Damares Alves encontros com a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, e o alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi.

Também há reuniões com a ministra federal dos Direitos Humanos do Paquistão, Shireen Mazari; o secretário-executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), Francisco Ribeiro Telles; a imprensa e representantes de organizações da sociedade civil. O Brasil completa seu quarto mandato como membro do conselho. (Com informações da Agência Brasil)

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