Da tornozeleira à Papudinha: como família afetou a vida de Bolsonaro
As decisões sobre tornozeleira e prisão domiciliar, na PF e agora na Papudinha citaram iniciativas dos filhos do ex-presidente como fatores
atualizado
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A transferência de Jair Bolsonaro (PL) da Superintendência da Polícia Federal (PF) para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (19º BPM), conhecido como Papudinha, em Brasília (DF), é mais um dos episódios causados na vida do ex-presidente por causa de ações de membros da família dele.
Desde o uso da tornozeleira, em julho, até a ida para uma cela na Papudinha, na quinta-feira (15/1), atos cometidos pelos filhos agravaram a situação jurídica de Bolsonaro.
As decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre uso da tornozeleira, prisão domiciliar e detenção na Superintendência da PF e agora no Complexo da Papudinha citaram iniciativas dos filhos do ex-presidente como fatores. O ex-presidente cumpre pena após condenação a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe depois de perder as eleições de 2022.
Na decisão de quinta, Moraes citou uma “sistemática tentativa” da família do ex-presidente “de deslegitimar” o local em que ele estava preso na PF, além de uma “campanha fraudulenta” contra o Judiciário.
O ministro citou sucessivas entrevistas dadas por Flávio e Carlos Bolsonaro — filhos do ex-presidente — com reclamações sobre supostos abusos nas condições em que Bolsonaro estava preso, incluindo uma em que Flávio falou que Bolsonaro estava em um “cativeiro”.
“Diferentemente dos 384.586 (trezentos e oitenta e quatro mil, quinhentos e oitenta e seis) presos em regime fechado não há superlotação [na PF], mas sim exclusividade, do ‘banho de sol’, do ‘ar condicionado’ e, pasmem, dizendo que a ‘ordem para os policiais é deixarem ele trancado dentro de uma sala de doze por doze na chave o dia inteiro’, como se o custodiado Jair Messias Bolsonaro não estivesse cumprindo decisão judicial definitiva de prisão”, disse Moraes no documento que ordenou a ida para a Papudinha.
Relembre outras ações dos filhos citadas por Moraes
Em outras determinações do ministro do STF, também foram citadas ações dos filhos que serviram para agravar a situação jurídica do ex-presidente. Em 22 de novembro, quando Bolsonaro foi preso preventivamente na PF depois de tentar violar a tornozeleira eletrônica, Moraes citou Flávio, que um dia antes da prisão convocou uma vigília no entorno da casa do patriarca da família.
O magistrado somou a tentativa de violação com a convocação de Flávio para decidir pela prisão na Superintendência naquele momento. Segundo o ministro, o filho queria insultar a Justiça na ocasião, com a pretensão de reeditar acampamentos golpistas e causar um “caos social”.
A complicação jurídica de Bolsonaro
- Em 18 de julho, o ex-presidente colocou tornozeleira eletrônica e foi proibido de sair de casa a noite e aos finais de semana. Decisão foi tomada após a PF apontar articulação dele e do filho Eduardo Bolsonaro em uma ofensiva internacional contra a Justiça brasileira. O ex-presidente também ficou proibido de usar redes sociais;
- Em 4 de agosto, Moraes determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro, após o descumprimento de medidas cautelares, como uma ligação com Flávio Bolsonaro que foi reproduzida em um protesto;
- Em 11 de setembro, 0 ex-presidente foi condenado na Primeira Turma do STF a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado;
- Em 22 de novembro, Bolsonaro foi preso na PF depois de tentar destruir a tornozeleira eletrônica e em 25 de novembro, após o trânsito em julgado de sua condenação, ele passou a cumprir o regime fechado dos 27 anos e 3 meses de condenação;
- Na quinta (15/1), Moraes determinou a transferência de Bolsonaro para a Papudinha depois da família reclamar da estrutura onde o ex-presidente estava.
Em agosto, quando Bolsonaro foi para a prisão domiciliar, Moraes citou que o ex-presidente violou as medidas cautelares e citou os filhos. O político estava proibido de usar o celular e fez uma chamada de vídeo com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que estava em uma manifestação, em Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ).
Já em julho, na primeira ação que resultou em limitação do ex-presidente, o ministro do STF listou as ações do deputado cassado Eduardo Bolsonaro em uma articulação nos Estados Unidos contra o Brasil para tentar impedir o julgamento contra o pai.
Na noite dessa quinta-feira, o Metrópoles registrou, com exclusividade, a chegada do ex-presidente à Papudinha. A imagem é do fotógrafo Kébec Nogueira.
Michelle solicita prisão domiciliar para o marido ao STF
Diferentemente dos filhos, que são citados nas decisões de Moraes, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não costuma aparecer, já que é mais reservada e fala pouco com a imprensa sobre a saúde de Bolsonaro. Antes da decisão de quinta, Michelle procurou o ministro do STF Gilmar Mendes em busco de apoio.
Michelle relatou ao ministro as condições de saúde do marido e tentou uma sensibilização por prisão humanitária domiciliar.














