Crescimento do EaD é puxado pela rede privada e limitado na pública
Crescimento do EaD é puxado pela rede privada de ensino, revela Censo da Educação Superior
atualizado
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O crescimento do ensino a distância (EaD) no Brasil é impulsionado, sobretudo, pela rede privada de ensino. Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2024, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) nesta segunda-feira (22/9), 73% dos ingressantes em faculdades e universidades particulares em 2024 eram da modalidade EaD. O cenário é bem diferente no setor público, onde 84% dos novos estudantes escolheram cursos presenciais.
A diferença mostra que ensino superior na modalidade EaD, que pela primeira vez ultrapassou o número de alunos dos cursos presenciais, ainda é restrito nas instituições públicas, enquanto domina o mercado privado.
Ainda de acordo com o Censo, dos 5.571 municípios brasileiros, dos quais 3.416 contam com alguma oferta de educação superior. Os outros 2.155 municípios (38,6%) não possuem nem curso presencial nem polo EAD.
Entre os municípios com educação superior:
- 1.087 oferecem cursos presenciais e EAD, reunindo 4,6 milhões de estudantes — ou 89% da matrícula de EaD.
- 2.300 oferecem apenas cursos EaD, com 532 mil alunos — cerca de 10% dos estudantes de EaD.
Outra característica relevante é a localização da sede das instituições que oferecem cursos EaD. Apenas quatro estados concentram 88% das matrículas: Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro.
Nos cursos presenciais, segundo o levantamento, predomina o bacharelado. Já no ensino EaD, a distribuição é diferente: 43% das vagas estão em cursos tecnológicos, 33% em bacharelados e 20% em licenciaturas.
Focando no bacharelado, foram ofertadas aproximadamente 10 milhões de vagas. Deste total, 61% na modalidade EaD, o que mostra o peso da rede privada nesse cenário.
Nas licenciaturas, a concentração é ainda maior: 89% das vagas foram oferecidas a distância. Nos cursos tecnológicos, a predominância do EAD é quase absoluta — 93% das vagas, contra apenas 7% presenciais.
Após o alto número de matrículas para a educação a distância, o MEC decretou, neste ano, novas regras para esse tipo de ensino no país. A preocupação do governo se dá por conta de questionamentos sobre a qualidade dessa formação.
O decreto proíbe a ministração de cursos de graduação 100% à distância e fixa em, pelo menos, 20% da carga horária dos cursos EaD de forma presencial, na sede da instituição ou em algum campus externo, com todos os participantes fisicamente presentes, ou por atividades síncronas mediadas.
Além disso, o modo EaD foi proibido para os cursos de Medicina, Direito, Odontologia, Enfermagem e Psicologia, que devem ser ofertados exclusivamente no formato presencial.
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) destaca que o Censo da Educação Superior 2024 reforça a centralidade do setor privado no acesso à graduação no Brasil. Cerca de 90% das instituições são particulares, concentrando quase 80% das matrículas, com mais de 8 milhões de estudantes. Entre 2014 e 2024, o crescimento das matrículas na rede privada foi de 39%, impulsionado principalmente pelo ensino a distância (EaD), que em 2024 superou pela primeira vez o volume de ingressantes do presencial.
Apesar do avanço da EaD, a modalidade pode ter atingido seu pico, apresentando crescimento limitado desde 2022 e altos índices de evasão. Nesse contexto, o modelo semipresencial surge como alternativa estratégica para atrair novos estudantes. Mais de 80% dos concluintes de 2024 estudaram em instituições privadas, evidenciando o papel decisivo do setor particular na formação de profissionais, especialmente em regiões com presença pública reduzida.
