Com Master no radar, CPMI segue com o depoimento do presidente do INSS. Acompanhe
Um dos focos da CPMI do INSS em 2026 são empréstimos consignados por instituições financeiras, incluindo a polêmica do Banco Master
atualizado
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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) segue, nesta quinta-feira (5/2), com o depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. As fraudes no INSS foram reveladas pelo Metrópoles. Acompanhe aqui:
Um dos focos da CPMI do INSS são os empréstimos consignados oferecidos por instituições financeiras, incluindo a polêmica do Banco Master.
Durante a oitiva, Waller disse que o INSS foi a primeira instituição a tomar medidas contra o Banco Master. A declaração se deu depois de ser questionado pelo relator da CPMI, Alfredo Gaspar (União-AL), se o INSS demorou a tomar medidas quanto aos empréstimos consignados descontados pelo banco.
“O INSS tinha um acordo vigente desde 2020. Esse acordo findou em agosto. Em setembro interrompemos o acordo de cooperação. Em outubro não assinamos o termo de compromisso, notificando a instituição. Ou seja, o INSS, antes de ser avisado sobre qualquer situação do Master, foi o primeiro a ligar o alerta”, disse.
Segundo o presidente do INSS, seguidas reclamações contra o Banco Master fizeram com que não fosse renovado o acordo de cooperação técnica após cinco anos — o acordo venceu em setembro de 2025.
“Por causa das reclamações dos nossos segurados, entendemos por bem não renovar o acordo de cooperação técnica. Isso muito antes de liquidação do Master, muito antes de qualquer órgão de controle falar sobre o banco”, ressaltou.
Ele mostrou números dos ressarcimentos feitos até agora pelo INSS. São 6,3 milhões de contestações, com R$ 2,9 bilhões devolvidos a R$ 4,2 milhões de aposentados e pensionistas.
A oitiva de Waller teve início por volta das 11h30. Pela manhã, após a retomada dos trabalhos da CPMI em 2026, a comissão rejeitou a convocação de Fábio Luís Lula da Silva (PT), o Lulinha,
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), defendeu que o colegiado vá ao Supremo Tribunal Federal (STF) para prorrogar os trabalhos, que tem prazo para encerrar em março. Crítico do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Gaspar disse não acreditar que o senador vá autorizar a prorrogação da comissão por mais 60 dias.
Frustração
Durante a votação de requerimentos, integrantes da oposição da CPMI do INSS saíram frustrados nesta quinta, pois a intenção era aprovar a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para depor ao colegiado.
Conforme mostrou o Metrópoles, na coluna de Andreza Matais, em depoimento à Polícia Federal (PF), um ex-funcionário de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, Edson Claro, contou que o empresário pagaria uma mesada de R$ 300 mil para Lulinha — o objetivo seria que o filho do presidente abrisse portas no governo para a Cannabis World, a empresa de maconha medicinal do Careca.
As solicitações, apresentadas por deputados e senadores do partido Novo, buscam detalhar a movimentação financeira da instituição, incluindo contas, investimentos e demais patrimônios registrados no sistema bancário.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), relatou, em dezembro, que “várias instituições financeiras parecem envolvidas, incluindo o Banco Master”. Segundo o parlamentar, não há dúvidas de que a polêmica do banco constará no relatório final.
A volta da CPMI do INSS mira o Banco Master
- CPMI do INSS retoma trabalhos focada em empréstimos consignados, com atenção ao Banco Master, alvo de polêmica;
- Senador Carlos Viana leva à votação dois pedidos de quebra de sigilo fiscal e bancário do Master, apresentados por parlamentares do Novo;
- Requerimentos buscam detalhar contas, investimentos e patrimônio do banco, para subsidiar análises e conclusões técnicas da comissão;
- Presidente do INSS, Gilberto Waller, será ouvido; bloqueio de R$ 2 bilhões em consignados do Master afeta mais de 250 mil contratos.
Oitiva
O presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, foi nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 30 de abril de 2025. Ele é servidor de carreira da Advocacia-Geral da União.
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Milena Teixeira, Waller afirmou que fez uma reunião virtual com o liquidante e com dois diretores do Banco Master.
Ele já havia informado que os repasses de empréstimos consignados do banco foram bloqueados após o surgimento de suspeitas de irregularidades. O bloqueio é de cerca de R$ 2 bilhões e está relacionado a mais de 250 mil empréstimos que estão sob análise do órgão de Previdência.
CPMI do INSS
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
As reportagens levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.







