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Brasil

CPI da Covid teve 38 potenciais falsos testemunhos, aponta estudo

Com 15 contradições no depoimento, ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello é recordista, segundo um levantamento da equipe de Renan Calheiros

21/06/2021 10:17, atualizado 21/06/2021 14:17
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Hugo Barreto/Metrópoles
CPI DA Pandemia. Depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello

Um levantamento feito pela equipe do senador Renan Calheiros (MDB-AL) encontrou pelo menos 38 declarações contraditórias ou falsas de depoentes durante a CPI da Covid. O material, que mostra o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello na liderança das incongruências apontadas, deve ser entregue ao Ministério Público e incluído no relatório final.

A identificação das falas contraditórias ou falsas começou a ser feita após o depoimento de Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social. A CPI chegou a discutir a prisão em flagrante por falso testemunho de Wajngarten, após o depoente negar que havia dito à Veja que houve “incompetência” de Pazuello. Ao contrário do que alegou no colegiado, a fala de Wajngarten foi comprovada por um áudio.

A CPI determinou que a suspeita de falso testemunho fosse avaliada pelo Ministério Público Federal.

“Constatou que foi mentira, tem que encaminhar para o Ministério Público. A rigor, era para o cara ser preso na hora. Estamos fazendo uma concessão encaminhando para o Ministério Público depois”, ressaltou o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Pazuello mentiu em 15 ocasiões

Já Pazuello, de acordo com o levantamento, teria mentido em 15 ocasiões durante seu depoimento. Em determinado momento, por exemplo, ele afirmou que o Tribunal de Contas de União (TCU) teria feito ressalvas sobre a vacina da Pfizer – o que senadores provaram ser falso.

O general também disse que o Ministério da Saúde não teve relação com a produção de cloroquina pelo Exército, o que foi desmentido por documentos do próprio órgão federal.

O ex-ministro ainda negou que Jair Bolsonaro (sem partido) tenha feito pressão para que as negociações com o Instituto Butantan não avançassem. O presidente da instituição, no entanto, afirmou o contrário à CPI. Além disso, Bolsonaro criticou a Coronavac em uma rede social e frisou que a vacina não seria comprada.

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Incoerências em outros depoimentos

Depois de Pazuello, Elcio Franco, com oito contradições, e Nise Yamaguchi, com seis, aparecem na lista. A última, por exemplo, afirmou que o Amapá teria “um dos menores índices do mundo de mortalidade”, embora o estado esteja em sexto entre os locais com o maior número de mortes por Covid-19 por 100 mil habitantes no Brasil.

Em quarto lugar, está Marcelo Queiroga, atual ministro da Saúde, com quatro contradições. Contrário ao que a própria infectologista Luana Araújo revelou à CPI, Queiroga disse que partiu dele a decisão de vetar o nome da médica.

O ministro também afirmou que a realização da Copa América no Brasil não traria riscos sanitários ao país, em função da pandemia.

O levantamento, no entanto, não considerou os depoimentos dados por Wajngarten e antes dele. Esses serão incluídos no relatório da CPI, documento remetido ao Ministério Público para apuração das contradições e falas falsas.

A CPI da Covid-19 tem o objetivo de investigar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia e, em especial, no agravamento da crise sanitária no Amazonas com o desabastecimento de oxigênio hospitalar, além de apurar possíveis irregularidades em repasses federais a estados e municípios.

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