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Brasil

Covid-19: "Vi minha família acabar", diz mulher que perdeu mãe, pai e irmã

A família morava em São Francisco, cidade do interior de São Paulo com apenas 3,7 mil habitantes. O município contabiliza quatro mortes

01/09/2020 21:43, atualizado 01/09/2020 21:54
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Arquivo pessoal
Covid-19: “Vi minha família acabar”, diz mulher que perdeu mãe, pai e irmã

A professora Luciani Cristina da Silva, 45 anos, que em um espaço de 72 horas perdeu a mãe, o pai e a irmã mais velha, todos vítimas da Covid-19, relata como foi essa experiência horrível: “Em três dias minha vida mudou drasticamente. Perdi tudo o que eu tinha de mais precioso. Foi um choque muito grande”. As informações são do UOL.

A família morava em São Francisco, interior de São Paulo, município com apenas 3,7 mil habitantes e que contabiliza quatro mortes causadas pelo coronavírus, incluindo as três da mesma família, e 54 casos da doença.

De acordo com a professora, sua irmã Antônia Angélica de, 58 anos, foi a primeira a contrair o novo coronavírus na família. A mulher, que era funcionária pública, pode ter se infectado no trabalho. Os primeiros sintomas, como coriza e dor de cabeça, começaram no dia 20 de julho.

“Mesmo com a pandemia ela continuou trabalhando normalmente. Apesar de não ter contato com muita gente, acreditamos que ela acabou se infectando e transmitindo a doença para o restante da família”, diz Luciani.

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Uma semana depois, Antônia teve o quadro de saúde agravado e precisou ser internada. Com falta de ar e febre alta, ela foi encaminhada para a Santa Casa de Jales, onde permaneceu na UTI, intubada, por 30 dias.

Primeiros sintomas

Após mais uma semana, a mãe, Ana Angélica Ramos, 78, e o pai, Antônio Pires da Silva, 81, também tiveram os primeiros sintomas causados pelo vírus. Eles procuraram a unidade de saúde da cidade e começaram o tratamento em casa.

Mais tarde, o estado de saúde dos idosos também se agravou e eles precisaram ser internados. Antônio foi encaminhado para a Santa Casa de Jales, mesmo hospital onde a filha estava internada, e Ana Angélica foi levada para o Hospital de Base, em São José do Rio Preto.

“Foi tudo muito rápido. Os primeiros sintomas eram leves, mas com o passar dos dias pioraram e todos precisaram ficar na UTI. Eu também fui infectada, mas fui a única que não precisou ir para o hospital”, desabafa a professora.

Luciani Cristina conta ainda que teve sintomas como febre, dor no corpo e perda do olfato e paladar. Já a sua mãe teve complicações cardíacas e precisou passar por duas cirurgias para desobstrução de uma veia em virtude das complicações da Covid-19.

Óbitos

No dia 18 de agosto, Ana Angélica não resistiu e morreu. Menos de 24 horas depois a filha mais velha também faleceu. No dia seguinte, Antônio foi a óbito.

“Quando minha mãe morreu foi um choque muito grande, mas ainda tínhamos meu pai e minha irmã lutando com a doença. Quando eles também não resistiram foi a maior dor da minha vida. Eu tinha uma família linda e de repente as três pessoas que eu mais amava não estavam mais comigo”, diz Luciani.

A professora relata que o pai, a mãe e a irmã não tinham comorbidades. “Essa é uma doença muito triste porque ela te afasta das pessoas que você ama. Quando eles estavam doentes eu não podia visitar, conversar e nem ver como eles estavam”, diz Luciani.

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No dia 18 de agosto, Ana Angélica não resistiu e morreu
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O mês com mais mortes este ano —e também recorde para óbitos em apenas um mês— foi julho, quando foram 138.943 óbitos foram registrados
A família morava em São Francisco, interior de São Paulo
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A família morava em São Francisco, interior de São Paulo

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No dia 18 de agosto, Ana Angélica não resistiu e morreu
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O mês com mais mortes este ano —e também recorde para óbitos em apenas um mês— foi julho, quando foram 138.943 óbitos foram registrados
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O mês com mais mortes este ano —e também recorde para óbitos em apenas um mês— foi julho, quando foram 138.943 óbitos foram registrados

Jacqueline LIsboa/Especial Metrópoles