Corrupção financeira: veja fases e desdobramentos da Compliance Zero
Nesta quinta-feira (7/5), a Polícia Federal deflagou a 5ª fase da Operação Compliance Zero; Senado Ciro Nogueira é alvo
atualizado
Compartilhar notícia

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (7/5), a 5ª etapa da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Entre os alvos da operação, está o senador Ciro Nogueira, de acordo com apuração da coluna da Mirelle Pinheiro.
A Compliance Zero já passou por cinco fases desde novembro de 2025, quando foi deflagrada a primeira fase e resultou na prisão do empresário e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Relembre todas as etapas da operação:
1ª fase – novembro de 2025
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase, que resultou em sete prisões, entre eles do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio do banco, e o tesoureiro Alberto Félix.
Durante os mandados de busca, a PF apreendeu carros de luxo, obras de arte, relógios de alto padrão e R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo. Além das prisões, foram bloqueados R$ 12,2 bilhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas associadas ao esquema.
Vorcaro foi liberado mediante cumprimento de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de deixar o país, a entrega do passaporte e a impossibilidade de comunicação com outros investigados.
2ª fase – janeiro de 2026
Deflagrada no dia 24 de janeiro deste ano, a etapa ampliou o alcance da investigação contra Vorcaro e atingiu familiares próximos do empresário. O pai, a irmã, o cunhado e um primo foram alvos de buscas.
A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, resultou no cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. O ministro Dias Toffoli (STF) determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em ativos dos investigados.
Fabiano Zetel, cunhado de Vorcaro, foi detido no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar para os Emirados Árabes. O empresário Nelson Tanure, conhecido por investir em empresas em dificuldades financeiras, também foi alvo.
Foram apreendidos carros importados, incluindo modelos da BMW e Land Rover, além de armas de fogo com munições e relógios de alto valor. O ministro Dias Toffoli, do STF, determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em ativos dos investigados.
3ª fase – 4 de março
Nesta fase, em 4 de março, a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em diversos estados incluindo Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro. No dia 4 de março, o banqueiro Daniel Vorcaro foi novamente preso após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
A terceira fase teve como objetivo investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, alavagem da dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.
Os alvos de prisão foram:
- Daniel Vorcaro, apontado como líder de uma milícia privada, que atuava para intimidar e coagir adversários e agentes públicos;
- Fabiano campos Zettel, que manteve atuação direta e reiterada em apoio às atividades desenvolvidas pelo cunhado Daniel Vorcaro;
- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que mantinha relação direta de prestação de serviços com o dono d Banco Master, atuando como responsável pela execução de ativdades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado;
- Marilson Roseno da Silva, identificado como integrante relevante da estrutura de monitoramento e intimação vinculada ao grupo liderado por Daniel Vorcaro.
4ª fase – 16 de abril
No dia 16 de abril, a Polícia Federal deflagrou a 4ª fase da Operação Compliance, revelando detalhes sobre supostas irregularidades na relação entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). As investigações também indentificaram movimentações para venda de ao menos um dos imóveis, localizado em um edifício de alto padrão na reião do Itaim Bibi, em São Paulo.
De acordo com os investigadores, os bens teriam sido utilizados como forma de ocultar a origem do dinheiro, em um modelo considerado sofisticado de lavagem de capitais.
A operação resultou em prisões preventivas e buscas, como:
- Paulo Henrique Costa: ex-presidente do BRB, foi preso pela Polícia Federal. Ele é investigado por suspeita de participação em esquemas que favoreceriam instituições financeiras específicas.
- Daniel Monteiro: advogado que teria representado o Banco Master em negociações estratégicas com o BRB.
5ª fase – 7 de maio
Nesta quinta, a PF deflagrou nova fase da operação, que aprofunda investigações sobre suposto esquema de corrupção, lavagem de dinehiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Entre os alvos está o senador Ciro Nogueira (PP).
Os agentes cumprem 10 mandatos de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária no Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal.
Além disso, a decisão judicial também determinou o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens, direitos e valores ligados aos investigados.
A defesa do senador Ciro Nogueira informou que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
“Reitera o comprometimento do senador em contribuir com a Justiça a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”, destacou em nota.
Os advogados ponderam, ainda, que “medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”.
