Coreano do pagode de Round 6 ama Só Pra Contrariar e Péricles

"Músicos brasileiros são como o BTS para nós, nossos ídolos", diz o cantor de K-pagode Wontae, em entrevista ao Metrópoles

atualizado 24/10/2021 20:07

Sebeen, Wontae e Jundo formam o grupo de pagode moderno tell a taleDivulgação

São Paulo – A Netflix resolveu unir duas coisas amadas pelos brasileiros: Round 6 e pagode. E foi assim que a banda coreana especializada no chamado K-pagode (ou pagode da Coreia) tell a tale foi escolhida para gravar um vídeo soltando a voz na canção Melhor Eu Ir, de Péricles. Lançada há uma semana, a gravação para divulgar a série que virou febre mundial acumula quase 330 mil visualizações e acabou devidamente compartilhada pelo cantor original.

Wontae (no centro, na foto em destaque), de 33 anos, vocalista do conjunto estrangeiro, contou em entrevista ao Metrópoles que seu grupo favorito é o Exaltasamba, banda na qual Péricles começou a carreira.

“Amo todas as músicas deles. Se eu me encontrar com Chrigor, Thiaguinho ou Péricles, talvez eu enlouqueça”, revelou o líder da tell a tale. Ele virou fã também de outros músicos do gênero. “Tenho até uma tatuagem no braço esquerdo com o título da música e do álbum O Samba Não Tem Fronteiras, do Só Pra Contrariar. É muito significativo para mim, porque afinal toco samba em um país estrangeiro.”

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A união de Brasil e Coreia

A relação dos sul-coreanos Wontae, 33 anos, Jundo, 36 anos, e Sebeen, 21 anos, com a música brasileira existe há pelo menos uma década. “Cada um de nós trabalhava em bandas diferentes, que tocavam ritmos brasileiros, como samba raiz. Então, descobrimos um interesse comum, o pagode moderno, e decidimos fazer música juntos”, contou Wontae.

Wontae começou a ouvir pagode acidentalmente: “Era uma melodia semelhante a um pop muito familiar, mas o ritmo me atraía”. De maneira simplista, a melodia é determinada pela sequência de notas, e o ritmo se define pelo estilo musical. “O ritmo brasileiro traz uma sensação excitante e um sentimento desconhecido para o coreano.”

Ele também vê semelhanças na produção dos países. “A maioria das letras têm histórias de amor, não mitos difíceis de entender. É parecido com a música coreana que eu gosto de ouvir, então naturalmente passei escutar música brasileira com frequência”, contou. 

Letras em português

Wontae, que tem a missão de entoar as letras em português, não fala nada de nosso idioma: “Eu memorizo todas as letras”, revela ele, ao apontar que é difícil aprender uma nova língua na fase adulta.

Para o pagodeiro sul-coreano, uma boa batida é o ponto mais importante para levar o samba ao outro lado do mundo. “Você pode escrever as letras em legendas e entender o significado mesmo que eu não fale bem o português”, afirmou. “Além disso, acho que sou muito bom em cantar em português”, diverte-se.

Ainda assim, ele se preocupa em entender o que está repetindo. “O significado eu aprendo usando um dicionário ou tradutor antes de cantar. É importante saber o significado ao expressar a música”, disse.

De acordo com o músico, a maioria dos admiradores da tell a tale são brasileiros. “É difícil se comunicar adequadamente com os fãs. Estou dando o meu melhor, mas acho que ele podem acabar desapontados. Nosso papel é estudar mais o português e tocar boa música. Meu objetivo é um dia falar fluentemente, mas não estou estudando tanto”, reconhece.

Fãs de carteirinha

“Muitos músicos brasileiros compartilharam nossos vídeos, mas, infelizmente, ainda não temos um relacionamento com eles. A maioria deles são como o BTS para nós. Nossos superstares”, disse Wontae. Apesar da admiração pelo Exaltasamba e Só Pra Contrariar, o vocalista gostaria de ter a chance de conhecer pessoalmente Anitta, Iza e Ludmilla. 

O coreano contou que conheceu no Japão o bloco carnavalesco Monobloco, há cinco anos. “Jantamos juntos e cantamos no palco, mas não sei se vão se lembrar de mim. No entanto, é uma memória preciosa para mim”, comemorou.

Sobre os colegas de banda, explicou que Jundo tem falado muito sobre Mumuzinho e Sebeen gosta de Ferrugem. “Sebeen se apresentou no palco com o Grupo Revelação em viagem ao Brasil no ano passado”, lembrou.

Turnê no Brasil

Wontae afirmou que a banda de K-pagode tell a tale quer fazer shows no Brasil assim que a pandemia acabar. “Claro, haverá várias restrições, mas quero ir ao Brasil e interagir com muitos músicos e encontrar fãs que nos amam”, declarou.

O grupo também planeja lançar um álbum. “Estamos trabalhando, mas, infelizmente, continua atrasado”, disse. Ele contou que  querem seguir se divertindo com o pagode e recebendo amor dos fãs, mas confessa que nem sempre é fácil. “Precisamos ganhar algum dinheiro e ser capazes de continuar a música que pensamos.”

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