“Contra petistas”: frigorífico de Goiás é processado por discriminação
O frigorífico, conhecido por anúncios de “direita”, já foi condenado pelo uso de um cartaz que dizia: “Petista aqui não é bem-vindo”.
atualizado
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Goiânia – O Frigorífico Goiás, conhecido por fazer anúncios “contra petistas”, está sendo processado por suposta publicidade discriminatória. A ação, no valor de R$ 500 mil, é movida pelo Instituto Brasileira de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec-GO), que acusa o local de excluir clientes com base em convicção político-partidária.
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Na ação, protocolada no último dia 18 de março, o Ibedec pede uma indenização por danos morais coletivos afirmando que o frigorífico fez novas publicações discriminatórias, entre elas um anúncio de “Picanha de Petista” e um vídeo de uma pessoa com uma arma na cintura dentro do estabelecimento.
“Tal publicidade não se caracteriza como mera manifestação de opinião, mas sim como uma estratégia comercial deliberada que utiliza conteúdo discriminatório para segmentação de mercado, configurando dano moral coletivo”, diz o pedido.
Histórico de polêmicas
- A polêmica envolvendo o primeiro cartaz surgiu no fim do ano passado, quando o deputado Mauro Rubem (PT) fez uma denúncia ao Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). A reincidência no comportamento é citada no novo processo.
- Nas redes sociais, o Frigorífico faz anúncios para divulgar promoções dos produtos e menciona “petistas” com frequência, além de colocar fotos de políticos da família Bolsonaro em embalagens de carne.
- Em uma das publicações, uma promoção de camarão traz a seguinte frase: “Camarão GG, maior que cérebro de petista”.
- Em fevereiro deste ano, o frigorífico foi condenado a pagar R$ 130 mil por publicidade discriminatória. Na ocasião, o frigorífico substituiu o cartaz original por um que dizia: “Ladrão aqui não é bem-vindo. Quem apoia ladrão também não”.
O instituto ainda pede tutela de urgência, pedindo a retirada do conteúdo discriminatório das redes, sob pena de multa de R$ 10 mil, além da condenação ao pagamento de R$ 500 mil, que devem ser encaminhados ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD).
Na decisão, a juíza Viviane Atallah não acolheu o pedido de tutela de urgência, alegando que a autora da ação não indicou os links dos posts que devem ser retirados. Disse ainda que não é possível dizer se as condutas apontadas são responsabilidade do réu apenas com base em prints, pois podem ser produzidas por Inteligência Artificial e precisam passar por perícia.
A magistrada deu um prazo de 15 dias para que o Instituto indique todos os links relativos aos vídeos e fotos apontados na ação e o laudo técnico que atesta sua autenticidade.
Em nota, a defesa do frigorífico, representada por Carlos Olivo, disse que não possui conhecimento formal da ação e que, assim que for comunicado, adotará as medidas cabíveis.
Suposta perseguição
O influenciador Danilo Faria é quem está no vídeo citado na ação. Nele, Danilo aparece com uma arma na cintura e uma camiseta vermelha: “Você conhece televisão de petista?”, diz ele apontando para uma vitrine de carnes.
Em um pronunciamento nas redes sociais, ele cita a ação e se diz indignado. “Eu sabia que a perseguição viria. […] R$ 500 mil por se posicionar? Ele que é o proprietário do negócio, deveria ter o direito de receber quem ele quiser no comércio dele”, afirmou Danilo.




