Cônsul era arrogante e violento, diz amigo: “Nada pode me acontecer”

Uwe Herbert Hahn é acusado pela morte do marido, o belga Walter Henri. Laudo do IML aponta múltiplas lesões no corpo da vítima

atualizado 09/08/2022 11:41

O casal estava junto há 20 anos e possuía passaporte diplomáticoReprodução

Rio de Janeiro – Em depoimento à polícia, um amigo do belga Walter Henri Maximilien Biot, de 52 anos, morto na última sexta-feira (5/8), afirma que a relação entre cônsul alemão e marido era marcada por humilhações e brigas violentas.

Segundo o depoente, um espanhol de 57 anos, Walter havia relatado uma série de agressões físicas e psicológicas que sofria por parte do marido, o cônsul Uwe Herbert Hahn, de 60, que está preso desde sábado (6/8), acusado pelo crime.

A nova testemunha foi ouvida pela 14ª DP (Leblon), que investiga o caso, na tarde de segunda-feira, dia 8. A diarista que trabalhava para o casal também prestou depoimento na unidade policial.

Em um trecho do depoimento, ao qual o Metrópoles teve acesso, a testemunha diz que “Uwe era um pessoa extremamente arrogante e não raro escutava o cônsul vociferar: ‘Eu sou diplomata e nada pode me acontecer”’.

O espanhol também afirma que Uwe fazia uso constante de drogas há anos e que, por ser cônsul, mandava Walter adquirir os entorpecentes. “O declarante tem conhecimento de que Uwe fazia uso de uma droga chamada cristal, sendo um líquido que ia ao microondas, cristalizava, era socado e em seguida aspirado; que Uwe fazia isso no apartamento do casal; que Walter utilizava drogas em alguns momentos, sendo certo que Uwe fazia uso diário”, diz trecho do depoimento.

Ainda de acordo com o amigo, Walter e Uwe chegaram a se separar por alguns meses, mas o belga retornou para o Brasil pouco depois. “Walter possuía um grande amigo rico na Bélgica. Por não tolerar mais as humilhações, resolveu se separar; o amigo belga arcou com toda sua mudança para Bélgica. Após três meses, Walter retornou ao Brasil e retomou o casamento”.

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Morte do amigo e herança de 600 mil euros

Com a morte do amigo na Bélgica, Walter ganhou uma herança de 600 mil euros (cerca de R$ 3.100 milhões), de acordo com o espanhol. Até a sua morte, 400 mil euros foram recebidos, e o belga aguardava pelos outros 200 mil restantes. Segundo a testemunha, isso impulsionou ainda mais as brigas entre o casal, já que Walter não dependia mais financeiramente de Uwe.

“A partir daí, as brigas aumentaram, porque Uwe não podia mais diminuir o marido. Falou também que Walter passou a ter seu próprio dinheiro, realizando suas tarefas por conta própria, o que causava extrema irritação em Uwe”, explica a testemunha.

“Walter passou a relatar ao declarante que possuía brigas diárias, relatava ter vergonha dos vizinhos, uma vez que a gritaria era constante e, por diversas vezes, com objetos atirados um contra o outro. Que Walter relatava ao declarante que diariamente o casal falava em separação”, completou o espanhol.

Agressão em julho

No depoimento, o espanhol também afirmou que, ao entrar em contato com o irmão de Walter para avisar sobre sua morte, soube que uma agressão foi relatada pelo belga.

“Pascal [irmão de Walter] confidenciou ao declarante, mostrando um print de uma mensagem que Walter havia enviado ao seu irmão, na qual a vítima relatava ter sido agredido por Uwe no dia 17 de julho; e que Walter, inclusive, havia manifestado o desejo de reportar o fato às autoridades policiais no Brasil”.

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