Como foram os últimos meses de Zambelli após prisão na Itália
Deputada tentou, por meio de advogados, reverter prisão, mas caso avança para uma possível extradição após parecer favorável do MP da Itália
atualizado
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A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) teve uma trajetória marcada por derrotas, desde que foi presa na Itália em 29 de julho deste ano. Nesta quarta-feira (22/10), o Ministério Público italiano se manifestou favorável à extradição da parlamentar ao Brasil.
Zambelli foi detida em Roma, após uma ação da polícia local.
Cronologia
17 de maio: STF condena Zambelli a 10 anos de prisão em regime inicialmente fechado.
25 de maio: data em que Zambelli diz ter deixado o Brasil.
3 de junho: deputada comunica que deixou o Brasil.
5 de junho: Câmara concede licença à deputada pelo prazo de 120 dias.
29 de julho: ocorre a prisão da parlamentar na Itália.
30 de setembro: Zambelli deleta perfil na rede social X, após Moraes determinar desbloqueio das redes sociais da parlamentar.
22 de outubro: Ministério Público da Itália emite parecer favorável para extradição de Zambelli.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou no dia 9 de junho, antes da prisão da parlamentar na Itália, que a Casa iria declarar a perda do mandato de Zambelli, cumprindo o rito estabelecido em decisão do STF.
Em 22 de agosto, o Supremo condenou Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto, além da perda do mandato, no processo relativo aos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
Após a prisão na Itália, referente à condenação de maio, a defesa de Zambelli tentou reverter a restrição de liberdade. O estado de saúde da parlamentar foi utilizado como argumento. No fim de agosto, os advogados disseram que ela convive com fibromialgia, doença cardiovascular e sintomas graves de depressão. No entanto, nenhuma das medidas surtiu efeito na Justiça.
Tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara um processo que pode resultar na cassação do mandato da deputada. No dia 24 de setembro, o colegiado ouviu Zambelli por videoconferência. Diante dos parlamentares, Zambelli negou as acusações que levaram à condenação e afirmou ter desmaiado oito vezes enquanto esteve presa.
Após deixar o Brasil, Zambelli entrou em licença “por interesse particular”, concedida pelo presidente da Casa, Hugo Motta, pelo prazo de 120 dias, iniciado em 5 de junho. O período se encerrou no dia 2 de outubro e, desde então, a Câmara começou a contabilizar as faltas da parlamentar.
Segundo o regimento da Câmara, deputados que deixarem de comparecer a mais de um terço das sessões anuais sem justificativa podem perder o mandato.
O que levou Zambelli à prisão
A prisão de Zambelli foi motivada por condenação determinada pela Primeira Turma do STF, em 17 de maio deste ano, a 10 anos de reclusão. A decisão se baseou na participação da parlamentar na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023.
Conforme o processo, a invasão consistiu na inclusão de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. A sentença emitida pelo STF, que teve decisão unânime, previu também a perda do mandato da parlamentar.
O anúncio da saída do Brasil foi feito pela própria Zambelli em 3 de junho deste ano, quando ela disse que deixou o país em 25 de maio. A saída do Brasil ocorreu poucos dias antes de Moraes decretar a prisão definitiva da deputada, o que ocorreu no dia 7 de junho.














