Como administrar as dívidas de cartão de crédito durante a pandemia? Veja

Cerca de 77% da população apontou o uso do cartão de crédito como a causa número um de contração de dívidas, segundo a Peic

atualizado 01/05/2020 6:11

Com a pandemia do coronavírus e a crise econômica mundial instalada desde o início do surto da doença, muitas pessoas ficaram sem ter como pagar boletos, contas e financiamentos. Uma pesquisa realizada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviço e Turismos (CNC) mostrou que o cartão de crédito, serviço muito utilizado pelos brasileiros, continua sendo a principal forma de endividamento.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) mostrou que, no mês de abril, cerca de 77% da população apontou o uso do cartão de crédito como a causa número um de contração de dívidas. A quantidade de brasileiros endividados e com atrasos bateu recorde, alcançando 66,6% – o maior percentual desde o início da pesquisa, em janeiro de 2010.

Para o advogado especialista em Direito do Consumidor, Victor Cerri, é necessário ter cautela com o uso excessivo do cartão. “Apesar de ser uma bela ferramenta de antecipação, a pessoa precisa pensar que a fatura vai vir e deverá ser paga na íntegra. Você parcelar ou pagar parcialmente o crédito nunca é uma boa estratégia, porque há um ônus muito pesado de juros”, afirmou.

Cerri destaca também que o indivíduo deve procurar o equilíbrio com o contratado para que os contratos sigam ativos. “O consumidor tem direito de postergar o pagamento durante a crise. De acordo com o Código Civil e o Código de Direito do Consumidor, há o amparo legal dessas questões de força maior, como a pandemia, para que o consumidor não seja exposto a uma situação de cobrança excessiva, especialmente em um momento como este”, ressaltou.

O advogado incentiva o consumidor a procurar canais de comunicação para haver diálogo entre as partes durante este momento de adaptação da crise. “É importante buscar as ouvidorias das instituições, as gerências, os financeiros, os canais que viabilizem oportunidades de atingir o equilíbrio adequado à situação”, auxiliou.

A bancária Ana Lúcia Soares considera fundamental a administração das movimentações financeiras. “É preciso aprender a administrar as receitas de forma eficiente e mapear custos fixos e variáveis. Se adapte ao novo estilo de vida, troque dívidas caras (como cheque especial e cartão de crédito), elimine gastos desnecessários e defina prioridades”, aconselhou.

Na opinião da bancária, comprometer o orçamento familiar em até 20% com pagamentos de parcelas é administrável, acima disso o sinal vermelho de acende. “O superendividamento é quando começa a ficar difícil pagar as contas de consumo mensal, como alimentação. Uma alternativa é aprender a pagar tudo à vista, gastando apenas o que se tem na carteira”.

“É sabido que as taxas de juros cobradas pelo cartão para parcelamento são altíssimas. Trocar essas dívidas por linhas de crédito mais baratas são uma boa saída. Muitos bancos estão dando prazos maiores para o início do pagamento de linhas como Crédito Direto ao Consumidor – CDC, o que pode ajudar as famílias a se reestruturarem durante a pandemia”, explicou Ana Lúcia.

Medidas 

A Câmara dos Deputados analisa propostas que suspendem juros de cheque especial e cartão de crédito durante a pandemia do novo coronavírus. O Projeto de Lei 995/20 suspende a cobrança de juros até o começo de março de 2021 – 60 dias após o encerramento do período de calamidade pública decretada. O PL 836/20 suspende a cobrança de juros em períodos de pandemia manifestados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

O Senado por sua vez analisa o PL 1.166/20 que congela os juros do cheque especial e do cartão de crédito em 20% ao ano, no período de março de 2020 a julho de 2021. A proposta foi apresentada pelo senador Alvaro Dias (Podemos-PR).

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que os cinco maiores bancos do país estão processando mais de 2 milhões de pedidos de renegociação, dando carência de 2 a 3 meses no vencimento de parcelas em várias linhas, como: crédito pessoal, crédito imobiliário, crédito com garantia de imóveis, crédito para aquisição de veículos e capital de giro.

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