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Comércio bilionário com o Irã coloca Brasil no meio de tensão global

Agronegócio sustenta comércio de quase US$ 3 bilhões, em meio à escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã

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Balança comercial brasileira
1 de 1 Balança comercial brasileira - Foto: Vosmar Rosa/MPOR

A relação comercial entre Brasil e Irã entrou em xeque após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que vai taxar países que mantêm negócios com a nação iraniana.

Dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) mostram que o fluxo comercial entre Brasil e Irã gira em torno de US$ 3 bilhões por ano, com amplo superávit para o lado brasileiro.

Em 2025, as exportações do Brasil para o Irã somaram cerca de US$ 2,9 bilhões, enquanto as importações ficaram abaixo de US$ 100 milhões, resultando em um saldo positivo próximo de US$ 2,8 bilhões.

Apesar de representar menos de 1% das exportações totais do Brasil, o Irã ocupa posição relevante no Oriente Médio, figurando entre os principais destinos dos produtos brasileiros na região, atrás apenas de mercados como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Egito e Turquia.

Balança comercial entre os países

A pauta comercial é altamente concentrada no agronegócio, o que torna a relação estratégica para produtores rurais e commodities brasileiras. Os principais produtos exportados são:

  • milho não moído;
  • soja em grão;
  • açúcar, farelo de soja e outros produtos agroindustriais em menor escala.

Do lado das importações, o Brasil compra pouco do Irã, com destaque para fertilizantes e produtos químicos, o que reforça o caráter assimétrico da balança.

Taxação dos Estados Unidos

O alerta veio após o presidente Donald Trump anunciar que pretende aplicar tarifa adicional de 25% sobre países que mantêm comércio com o Irã, ampliando o alcance das sanções econômicas contra o regime iraniano.

A lógica é punir não apenas Teerã, mas também os parceiros comerciais, aumentando o isolamento econômico do país.

A proposta ainda carece de regulamentação formal e enfrenta dúvidas jurídicas, mas, mesmo assim, provocou reação imediata no mercado internacional e em governos de países que mantêm relações com o Irã, como Brasil, China, Índia e Turquia.

Para o Brasil, o impacto direto ainda é incerto, mas o movimento ocorre em um momento delicado, onde o país já enfrenta um ambiente global mais protecionista, com disputas comerciais crescentes e pressões sobre exportações agrícolas.

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Trump e Lula. Brasil foi um dos países afetados pelo tarifaço e taxas globais impostas pelo republicano
Lula e Trump na Malásia
Os presidentes dos EUA e do Brasil, Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva
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Entenda a situação no Irã

A ofensiva americana ocorre em meio a um cenário de instabilidade política e social no Irã. O país enfrenta protestos internos recorrentes, agravados por uma economia enfraquecida, inflação elevada e restrições impostas por sanções internacionais que já duram anos.

Os Estados Unidos justificam o endurecimento das medidas como uma forma de pressionar o governo iraniano, citando preocupações com direitos humanos, política nuclear e atuação regional no Oriente Médio.

Para analistas, porém, a estratégia também tem forte componente geopolítico e eleitoral, ao reforçar uma postura dura de Washington contra regimes considerados adversários.


Contexto histórico

  • O Irã é uma república islâmica com forte concentração de poder nas mãos do líder supremo, cargo acima do presidente e das instituições eleitas;
  • O regime enfrenta contestação interna recorrente, com protestos contra restrições de liberdades civis, repressão política e costumes impostos pelo Estado;
  • As forças de segurança atuam com resposta dura a manifestações, o que aprofunda tensões internas e críticas internacionais;
  • O país mantém uma política externa marcada por conflitos com os EUA e aliados, especialmente em relação ao programa nuclear e à influência regional no Oriente Médio;
  • O programa nuclear iraniano é apontado por países ocidentais como uma tentativa de desenvolvimento de armas nucleares, acusação negada por Teerã;
  • Em resposta, os EUA e aliados impuseram sanções econômicas severas, restringindo exportações, transações financeiras e acesso ao sistema bancário internacional;
  • As sanções reduziram drasticamente as exportações de petróleo, principal fonte de receita do Irã. O país enfrenta escassez de dólares, dificultando importações e pressionando a moeda local;
  • A deterioração econômica alimenta insatisfação popular, especialmente entre jovens e mulheres.

O país enfrenta uma onda de manifestações. Até o momento, relatos indicam que mais de 2,4 mil pessoas já morreram em 17 dias de protestos, entre civis e forças de seguranças iranianas.

Segundo a organização Ativistas de Direitos Humanos no Irã (HRA), 18,434 iranianos já foram detidos por conta dos protestos, entre eles, Erfan Soltani, que deveria ser executado nesta quarta-feira (14/1). No entanto, a execução foi adiada e não tem uma nota data.

Impacto para o Brasil

Do ponto de vista macroeconômico, o Brasil não seria fortemente impactado no curto prazo, já que o comércio com o Irã é relativamente pequeno quando comparado ao volume total das exportações brasileiras. Ainda assim, setores específicos, principalmente milho e soja, podem sentir efeitos indiretos, caso o ambiente de incerteza leve a mudanças nos fluxos comerciais ou nos preços internacionais.

Internamente, o governo brasileiro adota uma postura cautelosa, defendendo o princípio do multilateralismo e a autonomia da política comercial, enquanto acompanha os desdobramentos das declarações americanas. Não há indicações de que o Brasil pretenda romper relações comerciais com o Irã.

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