Comandante morta por PRF liderava políticas contra violência doméstica
Dayse Barbosa foi morta com cinco tiros na cabeça pelo namorado. A comandante coordenava ações de combate à violência doméstica em Vitória
atualizado
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A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, foi assassinada com cinco disparos efetuados pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, na madrugada desta segunda-feira (23/3). Vítima de feminicídio, Dayse era responsável por liderar ações públicas voltadas ao combate à violência doméstica e familiar na capital capixaba.
Dayse foi a primeira mulher a ocupar o cargo de comandante da Guarda Municipal de Vitória. Ela era reconhecida pela atuação firme na defesa dos direitos das mulheres e na promoção da segurança pública.
Segundo o secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, a comandante contribuiu para que a capital estivesse há quase dois anos sem casos de feminicídio.
“Vitória estava há 652 dias sem feminicídios até ontem (domingo 22/3). A gente estava trabalhando nesse sentido com o objetivo de tentar motivar as pessoas a delatar os agressores. Infelizmente, ela não conseguiu poder salvar a própria vida“, afirmou.
O prefeito também destacou a morte de Dayse causou comoção entre servidores e integrantes da Guarda Municipal.
“É um dia muito triste, que ficará marcado na memória de todos. Uma mulher guerreira, que liderou uma instituição forte, acaba sofrendo um ato de violência cruel e covarde”, disse.
Entenda o caso
Dayse foi morta com cinco tiros na cabeça, na casa onde ela morava com o pai e com a filha de 8 anos, no bairro Caratoíra, em Vitória. O autor dos disparos foi o namorado da comandante, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza. Ele tirou a própria vida logo após o crime.
Segundo o secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, há indícios de que o crime foi premeditado. Na mochila do suspeito, a polícia encontrou um canivete, uma faca, um vidro de álcool, carregadores de munição, alicate e um isqueiro.
“A circunstância é que ele foi com o intuito de cometer o feminicídio. Ele levou materiais para entrar na residência e subir na marquise. Tudo indica que ele a pegou deitada, dormindo, e efetuou os disparos sem possibilidade de reação”, afirmou o secretário.
O pai de Dayse, que estava no local no momento do crime, também confirmou à polícia que o relacionamento era abusivo e marcado por desavenças.
652 dias sem feminicídio
Com a morte de Dayse, foi registrado o primeiro feminicídio na capital capixaba após mais de 652 dias sem casos. O último havia ocorrido em 8 de junho de 2024, quando um homem matou a própria filha com golpes de canivete.
Quando a cidade atingiu 600 dias sem feminicídios, Dayse foi a representante da prefeitura ao comentar as ações desenvolvidas. Na ocasião, enfatizou a importância da conscientização para que mulheres reconheçam situações de violência e busquem ajuda.










