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Comandante da Aeronáutica: militares não serão lenientes com corrupção

Tenente-Brigadeiro Carlos Almeida Baptista afirma que militares não são lenientes, caso acusações de corrupção sejam provadas

Repórter de Brasil09/07/2021 09:16, atualizado 09/07/2021 09:20
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Divulgação/FAB
Comandante da Aeronáutica: militares não serão lenientes com corrupção

O comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos Almeida Baptista Junior, comentou o envolvimento de militares nas suspeitas de corrupção investigadas pela CPI da Covid-19. Ele afirma que há um incômodo entre os membros das Forças Armadas em relação ao que ele descreve como “tentativa de associação”, mas que, caso as suspeitas sejam comprovadas, não haverá tolerância.

“Não somos lenientes com desvios e não temos qualquer intenção de proteger ninguém que está à margem da lei”, disse o brigadeiro Baptista, em entrevista ao jornal O Globo.

Na noite da última quarta-feira (7/7),  as Forças Armadas divulgaram uma nota com ataques duríssimos ao presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM). “As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro”, diz trecho do texto.

Sobre a nota, o comandante da Aeronáutica afirma que tratou-se de um “alerta às instituições”.

O texto foi enviado após o depoimento do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias. Na data, Aziz afirmou, entre outras coisas, que “fazia muito tempo que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo”. Ele se referia à citação de vários militares como suspeitos de negociatas na compra de vacinas contra a Covid-19.

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CPI da Covid
Eduardo Pazuello e o presidente Jair Bolsonaro em ato político no Rio de Janeiro
Presidente da CPI da Covid, Omar Aziz
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Presidente da CPI da Covid, Omar Aziz

Rafaela Felicciano/Metrópoles
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Edilson Rodrigues/Agência Senado
Eduardo Pazuello e o presidente Jair Bolsonaro em ato político no Rio de Janeiro
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Eduardo Pazuello e o presidente Jair Bolsonaro em ato político no Rio de Janeiro

Aline Massuca/Metrópoles

O comandante, no entanto, alerta que a nota foi voltada não à comissão em si ou ao Poder Legislativo, mas ao presidente da CPI, Omar Aziz, que teria feito ataques generalizados às Forças Armadas.

“A CPI acontece para levantar os fatos e as possíveis responsabilidades, mas a gente precisa saber que é um inquérito, é uma fase investigativa. Aquilo lá é investigação? O povo tem de responder”, considerou.

Sobre o trecho da nota em que militares afirmam que “não vão aceitar ataque leviano às Forças Armadas”, o brigadeiro Baptista diz que não se trata de uma ameaça, mas de um alerta. “Homem armado não ameaça”, diz.

“Essa disputa política do país é normal, mas sinto ser em tão baixo nível, em nível muito raso. Sinto que esta disputa deve ter como limite os riscos que ela pode trazer à institucionalidade do país. Essa disputa política não pode ultrapassar os limites da aceitabilidade, que começa pelo respeito às instituições, entre os Poderes”.

Ele reitera que Jair Bolsonaro (sem partido) não participou da elaboração da nota. “Foi redigida dentro do Ministério da Defesa, com a participação do ministro (Braga Netto) e os três comandantes (Exército, Marinha e Aeronáutica)”, explica.

Militares no governo

O brigadeiro Baptista diz que a participação de membros das Forças Armadas no governo de Jair Bolsonaro é natural, uma vez que FHC levou acadêmicos e políticos de seu meio e Lula, sindicalistas.

Ele destaca que a maior parte dos militares que participam do governo são de membros das Forças Armadas da reserva, que podem atuar como qualquer cidadão. Sobre aqueles que estão na ativa, o brigadeiro Baptista reafirma que podem ocupar cargos de natureza civil por até dois anos.

O comandante diz que, naturalmente, há problemas de conduta dentro das Forças Armadas. “Mas existe, sim, uma característica em relação aos militares: nós não somos lenientes com isso, na medida em que a gente saiba. Isso é muito importante.”

Falas públicas de militares

O comandante da Aeronáutica afirmou que o posicionamento, principalmente nas redes sociais, de militares está dentro das leis da instituição.

“Uma coisa é os comandantes não se meterem em política partidária, o que não está acontecendo. Outra coisa é imaginarem que um comandante de uma Força, com 70 mil ou 200 mil homens e mulheres que representam, uma parte importante da sociedade, sejam apolíticos, alienados da conjuntura do Brasil”, pondera.

Ele diz que acredita que a participação dos militares tem sido “ponderada e responsável”, mas que a discussão está muito esgarçada. “A polarização e o radicalismo têm prejudicado atingirmos o bem-estar social. Para isso, cada instituição deve cumprir sua missão dentro dos limites de autoridade que tem. Precisamos de maturidade e reflexão de todos”, conclui.

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