Com lucro maior, planos de saúde coletivos têm aumento de 16% no preço

Números mostram uso igual ou menor do que no mesmo período de 2019. Empresas defendem que lucro é ilusório

atualizado 28/06/2021 9:29

Hospital Ronaldo Gazolla, referência no tratamento de Covid no Rio de janeiro pacientes utiAline Massuca/Metrópoles

Boletos dos planos de saúde coletivos por adesão começaram a chegar com um ajuste de cerca de 16% no valor anual, o dobro da inflação acumulada de 8,06% do período. O aumento vai contra a tendência dos planos de saúde individuais, cuja expectativa é de um ajuste próximo a zero ou até negativo, em função da queda no número de cirurgias, consultas, exames e demais procedimentos eletivos desde o início da pandemia.

Um boletim da ANS mostrou que nos primeiros meses de 2021 não houve aumento no uso de serviços de saúde em comparação com o mesmo período de 2019. “Os números seguem no mesmo patamar (no caso de exames e terapias eletivas) ou em patamar inferior (no caso de internações e atendimentos em pronto-socorro)”, diz o estudo.

Para os planos de saúde individuais, o ajuste é calculado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANSS). Já no caso dos coletivos, que têm cerca de 80% no total de usuários, a negociação é direta entre operadoras, empresas e entidades da classe.

A diferença nos valores é alvo constante de questionamentos. Em 2020, por exemplo, o ajuste para os planos coletivos foi de 11,28%, cerca de 3% a mais do que nos planos individuais, de acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Este mês, a Câmara dos Deputados anunciou a criação de um grupo de trabalho para criar regras específicas para contratos de planos de saúde coletivos. A intenção é encaminhar um projeto de lei sobre o tema, após os trabalhos.

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Lucro 49,5% maior no período

Segundo a ANS, o lucro líquido do setor cresceu 49,5% em 2020, com 650 mil novos usuários. O número, no entanto, não se reflete no ajuste por ser um caixa gerado artificialmente, de acordo com Marcus Pestana, assessor especial da presidência da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge). “As pessoas não deixam de precisar da consulta e da cirurgia, elas só adiam”, disse ao jornal Folha de S. Paulo.

Pestana defende que a margem de rentabilidade das operadores é baixa, batendo em cerca de 5%. Já os custos tiveram um aumento de 3%, segundo o assessor especial, em função da incorporação de 68 novos procedimentos e tecnologias autorizada pela ANS em abril.

Vera Valente, diretora-executiva da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), também defende que o ajuste é justificado em entrevista ao jornal. “Os custos Covid estão explodindo nesta segunda onda da pandemia, as internações estão mais longas. Ao mesmo tempo, as [cirurgias] eletivas, adiadas em 2020, voltaram para valer a níveis maiores do que antes da pandemia.”

Questionada sobre a falta de transparência no processo de ajuste, a ANS afirma que monitora os reajustes e que trabalha para que as informações cheguem até os usuários de modo eficiente e detalhado.

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