Como o governo Lula vê plano de Flávio Bolsonaro para encontrar Trump
Planalto adota cautela em eventual encontro entre Flávio Donaldo Trump, mas aguarda resultado do encontro para possível reação
atualizado
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A iminente visita do senador Flávio Bolsonaro (PL) a Donald Trump nos Estados Unidos alertou o Palácio do Planalto nesta semana. A viagem, que acontece em um momento sensível para o senador após a revelação da sua relação com Daniel Vorcaro, é observada com cautela pelo governo.
Para integrantes do governo ouvidos pelo Metrópoles, o anúncio da visita não foi recebido de forma positiva. Apesar disso, o Palácio do Planalto e o Itamaraty não devem agir com o objetivo de barrar a visita. O entendimento, para interlocutores do petista, é que Trump tem liberdade para receber atores políticos.
A visita foi revelada pelo Metrópoles na coluna Igor Gadelha na última quinta-feira (21/5) e, de acordo com Flávio, o pedido para um encontro entre os dois teria partido da Casa Branca. A família Bolsonaro possui interlocução com membros do governo Trump, encabeçada principalmente por Eduardo Bolsonaro (PL), deputado cassado que vive nos Estados Unidos.
Eduardo é apontado ainda como principal articulador do tarifaço imposto ao Brasil pelos Estados Unidos. O ex-deputado federal também é visto como um dos responsáveis pela articulação que resultou nas sanções anunciadas pelo governo norte-americano contra autoridades brasileiras, como o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Viagem de Flávio aos EUA
- Flávio Bolsonaro anunciou que fará uma visita aos Estados Unidos para se reunir com o presidente Donald Trump. Ainda de acordo com o parlamentar, o interesse na visita teria partido da própria Casa Branca.
- O anúncio não foi bem recebido pelo governo Lula. Por outro lado, membros do governo consultados pelo Metrópoles avaliam que é preciso cautela em relação ao possível encontro — que também é visto com desconfiança nos bastidores já que não houve um comunicado oficial sobre a visita.
- A visita causou estranhamento pois rompe com os bons costumes das relações internacionais. Em outras palavras, o comum é que membros de outros países se reúnam com seus homólogos, ou seja, representantes de postos equivalentes.
- Apesar disso, o Palácio do Planalto e o Palácio do Itamaraty não devem atuar para tentar impedir o encontro ou passar uma mensagem de insatisfação com a visita.
Histórico causa receio
Embora o Planalto pregue cautela para o possível encontro — que também é visto com desconfiança nos bastidores do governo, já que não houve um comunicado oficial sobre a visita —, o histórico que relaciona a família Bolsonaro a decisões da Casa Branca sobre o Brasil mantém o governo em estado de atenção.
A percepção é que encontros entre membros do clã Bolsonaro e da gestão Trump tendem a resultar em notícias negativas “não apenas para o governo, mas para o Brasil”. Apesar disso, esses interlocutores acreditam que a relação criada entre Lula e Trump após o encontro entre os dois líderes na Casa Branca, pode ter reduzido margens para atuação de membros externos.
Neste sentido, a percepção é que “está claro” para a gestão republicana que os atores responsáveis pela relação bilateral são o presidente Lula e seus auxiliares. Por outro lado, chama atenção um encontro entre um senador brasileiro e o presidente dos Estados Unidos.
Embora o Flávio Bolsonaro seja um senador da República, é praxe nas relações internacionais que membros de outros países se reúnam com seus homólogos, ou seja, representantes de postos equivalentes. Em outras palavras, o comum seria um senador se reunir com membros do congresso do outro país, ministros se reúnem com ministros e presidentes se reúnem com presidentes.
Visita marcada após caso Dark Horse
O momento em que a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca também chama atenção. Neste momento, o senador e pré-candidato à presidência da República enfrenta uma crise na popularidade após os áudios em que o filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL) aparece cobrando dinheiro de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.
Flávio chegou a negar qualquer relação com o banqueiro, mas depois admitiu e reconheceu os áudios. Em justificativa, o senador afirmou que os contatos com o banqueiro eram unicamente para tratar o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia que conta parte da história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A revelação segurou o avanço de Flávio Bolsonaro nas sondagens que apuram intenções de voto para o Palácio do Planalto. Nos últimos meses, pesquisas mostravam que senador chegou a ultrapassar Lula em projeções de segundo turno para as eleições de outubro. Após a divulgação dos áudios, revelados pelo jornal Intercept, o presidenciável voltou a cair nas intenções de voto.
Pesquisa Datafolha divulgada nessa sexta-feira (22/5) mostra o presidente Lula com 40% ante 31% de Flávio Bolsonaro na simulação de primeiro turno das eleições de 2026. A vantagem do presidente sobre o senador passou de 3 para 9 pontos percentuais em relação ao último levantamento do instituto.









