Chanceler discute com Bolsonaro ocupação na embaixada venezuelana

Um grupo que apoia o autodeclarado presidente Juan Guaidó ocupou o local na madrugada desta quarta-feira

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 13/11/2019 12:02

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, está reunido com o presidente Jair Bolsoanro (PSL) para tratar da ocupação ocorrida nesta quarta-feira (13/11/2019) na Embaixada da Venezuela, em Brasília.

De acordo com o Itamaraty, a primeira preocupação é garantir a integridade física de todas as pessoas que estão dentro da embaixada, independentemente de serem aliadas do presidente autodeclarado Juan Guaidó ou de Nicolás Maduro.

Essa é a orientação passada ao Batalhão Rio Branco, uma unidade da Polícia Militar do Distrito Federal destinada a fazer a segurança das representações diplomáticas sediadas na capital. Policiais estão neste momento dentro da embaixada em um trabalho de mediação para que não haja agressões ou ataques a integridade dos representantes da Venezuela.

De acordo com informações passadas pelo Itamaraty, o governo brasileiro reconhece as credenciais da advogada Maria Teresa Belandria Expósito, indicada por Guaidó, cuja autodeclaração é reconhecida pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Segundo o Itamaraty, de acordo com a Convenção de Viena, o governo brasileiro precisa garantir que a assistência consular seja dada, independentemente de existir ou não relação diplomática.

A invasão à Embaixada da Venezuela ocorre no momento em que tem início a reunião do BRICS — grupo de cooperação entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul —, em Brasília. A Rússia declarou apoio a Maduro, inclusive oferecendo-se em caso de uma invasão da Venezuela por parte dos Estados Unidos.

Nesta quinta-feira (14/11/2019), Bolsonaro terá uma reunião bilateral com o presidente Vladimir Putin e esse passa a ser mais um ponto de divergência entre os dois mandatários. Some-se a isso, a questão da crise na Bolívia, com a renúncia forçada de Evo Morales.

O governo russo usou a palavra “golpe” para descrever o que havia ocorrido em La Paz. Já o brasileiro, foi o primeiro a reconhecer o novo governo de Jeanine Áñez como substituta de Morales.

Entenda
Na madrugada desta quarta-feira (13/11/2019), um grupo pró-Guaidó ocupou a Embaixada da Venezuela, na 803 Sul. Maria Tereza Belandria informou por meio de nota que funcionários da sede diplomática entraram em contato para dizer que apoiavam Guaidó e entregariam o local para o grupo contrário a Maduro.

No entanto, ao chegar na embaixada encontraram funcionários que estavam morando na residência oficial. Na manhã desta desta quarta-feira (13/11/2019), houve conflito entre os grupos pró-Guaidó e pró-Maduro e a Polícia Militar precisou intervir.

Atualmente, o país tem dois representantes após Belandria ter sido indicada pelo autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó. O líder oposicionista ao governo de Nicolás Maduro tem o reconhecimento do governo brasileiro e entregou a carta credencial da advogada para tornar-se embaixadora no Brasil.

Apesar dessa movimentação em favor de Guaidó, o governo brasileiro informou que não expulsaria os diplomatas venezuelanos indicados pelo governo de Maduro.

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