Grupo pró-Guaidó invade a Embaixada da Venezuela em Brasília

Houve briga no local e a Polícia Militar usou spray de pimenta para conter funcionários que tentavam entrar no local

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 13/11/2019 12:04

A manhã desta quarta-feira (13/11/2019) é marcada por uma confusão na Embaixada da Venezuela em Brasília, localizada na 803 Sul. Um grupo que reconhece Juan Guaidó como presidente interino do país sul-americano teria invadido durante a madrugada o local, no momento em que pessoas ainda dormiam.

A Polícia Militar foi acionada e, quando chegou à embaixada, cerca de 30 pessoas estavam do lado de fora em apoio ao corpo diplomático. Houve troca de agressão entre os manifestantes. Eles derrubaram o portão e parte conseguiu entrar. A PM usou spray de pimenta para conter os ânimos.

“Estamos aqui para dar proteção ao corpo diplomático. É uma vergonha. Isso nunca aconteceu no Brasil. Um horror. Estão desobedecendo a ordem do chefe da diplomacia aqui”, disse a advogada Graça Pacheco, que se diz solidária ao corpo diplomático ameaçado.

“Não sabemos como eles [grupo pró-Guaidó] entraram aqui pela porta de acesso e saída da embaixada. Tem um veículo que não sabemos de quem é e está dentro do território venezuelano de forma ilegal. Estamos sofrendo uma invasão. O que está acontecendo é muito grave”, contou o encarregado de negócios Freddy Flores Meregotti.

A confusão começou após um grupo de pessoas ligadas à embaixadora Maria Teresa Belandria ocupar o local e tentar tirar funcionários lá de dentro. Pela manhã, chegou o grupo do embaixador que está ativo e colocou os invasores para fora.

O país tem dois representantes após Belandria ter sido indicada pelo autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó. O líder oposicionista ao governo de Nicolás Maduro tem o reconhecimento do governo brasileiro e entregou a carta credencial de Belandria para tornar-se embaixadora no Brasil.

Apesar dessa movimentação em favor de Guaidó, o governo brasileiro informou que não expulsaria os diplomatas venezuelanos indicados pelo governo de Maduro.

Comunicado
Por meio de nota, a embaixadora María Teresa Belandria informou que um grupo de funcionários entrou em contato com ela e informou que reconhecia Juan Guaidó como presidente. Eles entregariam de forma voluntária a sede diplomática. A situação foi então comunicada ao Ministério das Relações Exteriores.

“Ao entrar na embaixada, verificamos que um grupo de funcionários está morando na residência oficial, que fica próximo à sede administrativa”, informa em nota Belandria (veja a íntegra do documento abaixo). Por fim, ela informou que vai apoiar os funcionários que ainda estão no local e não querem deixar o país.

Entenda
A Venezuela vive uma intensa crise econômica e social que se agravou neste ano, com a posse de Nicolás Maduro para o segundo mandato presidencial, em 10 de janeiro. Diante dessa situação, o líder oposicionista Juan Guaidó declarou-se presidente interino do país. Maduro, no entanto, permanece à frente do governo e conta com o apoio das Forças Armadas do país.

Guaidó recebeu apoio de alguns países, como Brasil e Estados Unidos. A Organização dos Estados Americanos (OEA), entre outras entidades, se manifestou em defesa de novas eleições na Venezuela.

Comunicado Oficial 13 Nov 2019 by Anonymous 6yWyVG on Scribd

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