Chacina de Unaí: TRF-1 julga irmãos apontados como mandantes do crime

Já o irmão de Antério Mânica, Norberto, teve a pena reduzida para 65 anos e 7 meses de prisão

atualizado 19/11/2018 21:55

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Os irmãos Antério e Norberto Mânica, acusados de serem os mandantes da chacina de Unaí (MG), começaram a ser julgados pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em Brasília, na tarde desta segunda-feira (19/11). Eles foram condenados em primeira instância, em 2015, a 100 anos de prisão e o Ministério Público Federal (MPF) defende a manutenção e execução imediata da pena.

No entanto, por 2 votos a 1, os desembargadores anularam a condenação de Antério (foto em destaque), que é ex-prefeito da cidade mineira, distante 165 quilômetros de Brasília. Um novo júri deve ser remarcado em data ainda não definida. Já Norberto teve a pena reduzida para 65 anos, 7 meses e 15 dias. O tempo foi reduzido porque a qualificadora de emboscada acabou retirada da sentença.

José Cruz/ABr
Ex-prefeito de Unaí Antério Mânica teve condenação anulada. Novo julgamento será marcado

Já Norberto adotou a estratégia de defender o irmão. Ele assumiu ter entrado em contato com intermediários para contratar os pistoleiros por conta própria e garantiu que Antério não sabia de nada.

Familiares se revoltam
O resultado do julgamento deixou familiares das vítimas revoltados. Ao Metrópoles, Helba Soares da Silva, viúva do fiscal Nelson José da Silva, disse que o sentimento é de impunidade.

Entrei aqui confiante e estou saindo derrotada, triste e inconformada, porque anular um julgamento que levou 13 anos para acontecer não é fácil. A injustiça está aqui presente hoje. Depois de hoje, não sei mais no que acreditar

Helba Soares da Silva, viúva do fiscal Nelson José da Silva

Segundo a denúncia do MPF, no dia 28 de janeiro de 2004, os fiscais Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares e Nelson José da Silva e o motorista Aílton Pereira de Oliveira foram emboscados em uma estrada de terra próxima de Unaí, enquanto faziam visitas de rotina a propriedades rurais.

O carro do Ministério do Trabalho foi abordado por homens armados que mataram os fiscais à queima-roupa. A fiscalização visitava a região por causa de denúncias contra trabalho escravo.

Durante a diligência, os procuradores regionais da República Bruno Caiado de Acioli e Marcus Vinícius de Viveiros Dias estiveram no local da chacina e viram as cruzes referentes aos mortos do lado da estrada.

Veja a íntegra da denúncia do MPF:

Denúncia do MPF by Metropoles on Scribd

Eles também passaram no posto de gasolina onde teria havido o encontro dos mandantes do crime com os pistoleiros à época dos fatos. Em visita à viúva do auditor Nelson José da Silva, os procuradores entregaram os pareceres do MPF nos processos que estão no TRF-1.

 José Cruz/ABr
Fazenda onde a chacina ocorreu

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