Castro é 7º governador do Rio a enfrentar problemas na Justiça
Todos os ex-governadores do Rio desde a redemocratização foram presos ou condenados à inelegibilidade. Castro está inelegível até 2030
atualizado
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O agora ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, condenado nessa terça-feira (24/3) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), passa a integrar a lista de chefes do Palácio Guanabara com problemas na Justiça. Todos os governadores eleitos nos últimos 30 anos foram alvo de prisões, cassações ou impeachments.
A única que passou pelo cargo sem ser presa ou condenada à inelegibilidade até hoje foi Benedita da Silva, que era vice de Garotinho e assumiu quando ele saiu para concorrer à presidência em 2002.
Cinco ex-governadores foram presos nos últimos anos: Moreira Franco (1987-1991), Anthony Garotinho (1999-2002), Rosinha Garotinho (2003-2006), Sérgio Cabral (2007-2014) e Luiz Fernando Pezão (2014-2018).
Além disso, três, contando com Castro, não chegaram a finalizar os mandatos. Luiz Fernando Pezão, preso durante o mandato, e Wilson Witzel (2019-2021), que sofreu o primeiro impeachment da história do Rio em 2021. Ele estava afastado desde 2020 por suspeitas de corrupção na saúde durante a pandemia.
No caso de Castro, ele renunciou ao cargo na segunda-feira (23/3), na véspera do julgamento no TSE que decidiu pela cassação do mandato dele.
Veja o histórico dos governadores
Cláudio Castro
Castro foi vice na chapa de Wilson Witzel e assumiu o governo após o afastamento dele. Em 2022, foi eleito para continuar no cargo com 58,67% dos votos.
Nesta terça, o TSE decidiu pela inelegibilidade dele por abuso de poder político e econômico. A inelegibilidade de oito anos passa a contar a partir de 2022, quando o ilícito foi cometido. Ainda cabem embargos de declaração.
As Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) apuram se a Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) foi usada indevidamente durante as eleições. O caso envolve indícios de contratações em massa sem concurso público.
Também são investigados pagamentos fora dos padrões administrativos, feitos em dinheiro vivo por meio de saques em agências do Banco Bradesco.
Wilson Witzel
O então governador foi afastado do cargo em 2020 em investigação sobre a participação em esquema de corrupção na Operação Placebo. Em 2021, ele se tornou o primeiro governador do Rio a sofrer um impeachment. As ações contra ele ainda estão em análise na Justiça.
Luiz Fernando Pezão
Luiz Fernando Pezão foi preso em novembro de 2018 na Operação Boca de Lobo, um desdobramento da Lava Jato. As acusações eram de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em 2023, ele foi absolvido de todas as acusações por falta de provas.
Sérgio Cabral
Sérgio Cabral chegou a ficar seis anos preso após ser condenado a 400 anos de prisão no âmbito da Operação Lava Jato.
Atualmente, ele cumpre medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Rosinha Garotinho
Rosinha foi presa duas vezes. Ela também foi acusada de arrecadação ilegal de dinheiro de campanha, junto ao marido, Anthony Garotinho.
Em 2019, ela foi condenada por improbidade administrativa em ação civil pública e teve a suspensão dos direitos políticos por oito anos, além da perda de função pública e ao pagamento de R$ 234 milhões de ressarcimento ao erário.
Anthony Garotinho
O ex-governador Anthony Garotinho foi preso quatro vezes, a primeira delas em 2016 por compra de votos para as eleições da Prefeitura de Campos. A última foi em 2019 por suspeita de participação em um esquema de superfaturamento de contratos. Todas às vezes ele foi solto poucos dias depois.
Ele foi condenado pelos crimes de corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documento e coação de testemunhas, cometidos ao longo do processo eleitoral de 2016, no município de Campos dos Goytacazes (RJ).
Moreira Franco
O político foi preso em 2019 por quatro dias por suspeita de recebimento de propina de obras relacionadas à Usina Nuclear Angra 3, no Rio de Janeiro, no âmbito da operação Lava Jato.
Moreira Franco foi acusado de “interceder e influenciar na contratação” das empresas envolvidas no esquema.
Ele chegou a virar réu na ação, ao lado do ex-presidente Michel Temer. A decisão, no entanto, foi anulada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
