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Brasil

Caso Master: o Estadão é um jornal que não admite os fatos

O Estadão usa as mensagens de Daniel Vorcaro quando lhe parece conveniente, mas, quando citado, desqualifica as conversas do mesmo Vorcaro

22/10/2026 14:38
Arte/ Metrópoles
Caso Master: o Estadão é um jornal que não admite os fatos

O Estadão se antecipou para tentar explicar mensagens nas quais o banqueiro Daniel Vorcaro conversa com o seu sócio Flávio Carneiro e diz que no jornal eles estão “em casa”, em clara referência de que exercia influência editorial no veículo hoje controlado por banqueiros e empresários.

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O título do jornal afirma: “Metrópoles prepara ataque mentiroso ao Estadão por expor influência de Vorcaro no portal”. No entanto, tudo o que o Metrópoles publica e publicará é comprovado pelos prints de conversas do telefone de Daniel Vorcaro.

Para sustentar o que classifica como “ataque”, o Estadão diz que “o Metrópoles utiliza um recorte de mensagens vazadas entre Vorcaro e o empresário Flávio Carneiro” e omite o conteúdo completo dos diálogos.

Mas a íntegra dos diálogos mostra precisamente o que revela o Metrópoles: o Estadão, embora sobreviva às custas de empréstimos concedidos por bancos adversários e hostis ao Banco Master, não relutou em ceder aos interesses de Daniel Vorcaro.

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Se o próprio Estadão dá crédito ao que fala o banqueiro, precisa aceitar o que está consignado pelas conversas, que expõe as relações de bastidores mantidas entre o veículo e o empresário.

O Estadão fala, em seu texto, sobre a emissão de debêntures que deu sobrevida ao grupo de comunicação, que acumulava uma dívida de R$ 159 milhões, e transformou bancos e grandes empresários em credores do Estadão.

O grupo de comunicação paulista escondeu por dois anos as identidades dos empresários e banqueiros que participaram do socorro financeiro ao grupo. Os nomes só se tornaram públicos a partir de reportagem do Metrópoles.

Ao tratar da operação, o Estadão admite a presença de Rubens Ometto, empresário que organizou o socorro financeiro ao jornal, no grupo de debenturistas do veículo. Ometto e seus banqueiros parceiros no aporte ao falido veículo passaram a ocupar espaço no jornal, o que levou o veículo à alcunha de Jornal dos Banqueiros.

O Estadão traz, então, o trecho da conversa em que Vorcaro lamenta por não ter participado do negócio. Obviamente, Ometto não convidaria o Master para integrar o polo de socorristas, visto ser este integrado pelos seus maiores rivais do mercado financeiro. Não fosse assim, o Master teria sido um dos contribuintes.

O Estadão trata como “evidência de que o Metrópoles prepara um ataque” o envio de um e-mail com o pedido de outro lado. O Metrópoles limita-se a tornar públicas as conversas sobre o Estadão mantidas entre Daniel Vorcaro e Flávio Carneiro. Ao demandar respostas ao jornal paulista, o Metrópoles cumpre seu dever de bom jornalismo, qual seja, ouvir o outro lado antes de publicar qualquer matéria.

O jornal paulista diz, também, que “as afirmações de Carneiro sobre ‘estar em casa’ e ‘ter créditos’ com o Estadão provavelmente são uma tentativa do empresário de demonstrar ao seu sócio, Vorcaro, uma influência que ele não tinha”.

Se o Estadão considera mentirosas as afirmações feitas por Flávio Carneiro sobre a relação entre o veículo, Daniel Vorcaro e Rubens Ometto, o jornal vai processar Flávio Carneiro?

Em outro trecho, o Estadão usa uma outra conversa de Vorcaro, desta vez com a então superintendente de Marketing e Comunicação do Banco Master, Ana Matos, para argumentar que “a incapacidade de controlar a narrativa do jornal gerava forte irritação na cúpula do Banco Master”.

A queixa da funcionária de Vorcaro, no entanto, era muito mais intensa em relação ao Metrópoles, que publicou mais de 1.600 matérias sobre o Master e sobre os negócios do Master com o BRB, questionando sua solidez financeira e sua capacidade de levar a bom termo as negociações com o Banco de Brasília.

O Estadão fala também de um suposto “método” do Metrópoles que, de acordo com eles, “reforça um padrão recente de intimidação editorial”. “Assim como ocorreu com a Folha de S.Paulo e com o banco Itaú, o Metrópoles utiliza seu espaço para publicar textos retaliatórios assim que veículos da grande imprensa expõem os pagamentos milionários envolvendo o grupo de comunicação, o Banco Master e as empresas da família de Luiz Estevão”, diz o texto.

O Metrópoles publicou as conversas de Daniel Vorcaro com múltiplos interlocutores, que trazem relatos de suas relações com o mundo empresarial, o Poder Judiciário, órgãos de imprensa e pessoas diversas. Se todos os que se sentirem atingidos pelas matérias considerarem o exercício de jornalismo como método de intimidação, isso poria fim ao mais importante trabalho da imprensa: apurar, checar, comprovar e publicar notícias que desagradam aos personagens retratados.

O jornal paulista fala, também, que durante o anúncio sobre a parceria da CBF com o Metrópoles para a transmissão dos jogos da Série D do Campeonato Brasileiro não teria sido mencionado que “Luiz Estevão também comercializou os ‘naming rights’ da competição”.

Como deixa clara a tradução livre do termo em inglês, a comercialização dos “naming rights” é o aspecto mais evidente da transação com o grupo Master, visto que a competição passou a chamar-se Will Bank Série D e tal denominação constou de todas as transmissões e das placas publicitárias exibidas pelas câmeras de TV.

Em outro trecho, o Estadão diz: “Além dos R$ 6 milhões para a transmissão da Série D, os diálogos indicam outros três contratos distintos: um de R$ 20 milhões, outro de R$ 25 milhões e um terceiro de cerca de R$ 900 mil”.

O contrato de R$ 25 milhões com o Metrópoles não foi cumprido nem pago, tendo em vista a liquidação do banco. Quanto ao de R$ 20 milhões, a verificação da sua razão de ser é muito fácil: basta acessar as campanhas publicitárias veiculadas pelo Metrópoles, sendo que Vorcaro também anunciava na TV Globo, TV Record, Estadão e outros veículos de imprensa.

O Estadão volta, então, a citar uma conversa de Vorcaro com Ana Matos. “Nao! Coisa mais importante nossa vida é esse metropoles [sic]”, afirmou Vorcaro no diálogo com a então superintendente de Marketing e Comunicação do Banco Master.

É natural que Vorcaro considerasse o Metrópoles mais importante que o Estadão. Enquanto o jornal dos banqueiros tem uma circulação diária de menos de 35 mil exemplares, o Metrópoles é acessado 600 milhões de vezes a cada dia.

Os números da audiência do Metrópoles, que possuem mais de 35 milhões de seguidores nas redes sociais, são públicos e aferíveis nas respectivas plataformas; já o Estadão, acabrunhado com a constante e irreversível queda em sua circulação, deixou de informar os números ao Instituto Verificador de Comunicação (IVC), podendo-se supor que sua tiragem já seja inferior aos 35 mil exemplares diários, o último dado tornado público pelo veículo desde junho de 2023, quando entrou em queda livre de audiência.