Caso Kathlen: MPRJ denuncia cinco PMs por fraude e falso testemunho
Eles são acusados de terem alterado o local da morte da jovem, grávida de 4 meses, atingida por um tiro de fuzil durante ação da PM em junho

Rio de Janeiro – Acusados de alterar o local da morte da jovem Kathlen Romeu, de 24 anos, grávida de 14 semanas, em 8 de junho deste ano, no Complexo do Lins, zona norte, cinco policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público (MP) à Auditoria da Justiça Militar, nesta segunda-feira (13/12). Ela foi morta com um tiro de fuzil durante ação da PM.
Segundo a denúncia do promotor Paulo Roberto Mello Júnior, à qual o Metrópoles teve acesso com exclusividade, os cinco denunciados são o capitão Jeanderson Corrêa Sodré; o cabo Rodrigo Correia Frias; o cabo Cláudio da Silva Scanfela; o cabo Marcos da Silva Salviano; e o sargento Rafael Chaves Oliveira.
Frias e Salviano, que confessaram ter atirado na ação, recolheram dois cartuchos de cápsulas deflagradas próximo ao local onde a jovem foi morta. Tudo na presença do capitão Corrêa, superior da dupla, que nada fez para impedir.
À Polícia Civil Frias e Salviano alegaram que atiraram em reação à atuação de criminosos. A Delegacia de Homicídios da Capital apura para saber se o tiro que feriu e matou Kathlen partiu de um dos fuzis usados pelos policiais. O caso ainda não foi encerrado.
O procedimento do MP aponta ainda que na 26ª DP (Todos os Santos), onde o caso foi registrado primeiro, Sodré, Frias, Scanfela e Salviano apresentaram 10 munições e 12 cartuchos deflagrados para sustentar a hipótese de um suposto confronto com bandidos. O que caracterizou o crime de falso testemunho.
Morte da jovem
Na tarde do dia 8 de junho, Kathlen foi atingida por uma bala de fuzil que cortou seu tórax, quando chegava ao Complexo do Lins para visitar a avó, Sayonara Fátima. A senhora estava com a neta no momento em que ela foi ferida.
A jovem havia se mudado da comunidade, há pouco mais de um mês de sua morte, com medo da violência. Em julho, parentes, que atribuíram a morte aos policiais, participaram da reconstituição do caso feita pela Polícia Civil. Na ocasião, Sayonara Fátima chorou ao rever cena do crime.

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