Caso Benício: médica vendia maquiagem enquanto menino passava mal
Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, morreu na madrugada do dia 23 de novembro de 2025, após receber dose intravenosa de adrenalina

A investigação sobre a morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, revelou que, enquanto o menino agonizava após receber dose incorreta de adrenalina na veia, a médica responsável pelo atendimento vendia maquiagem pelo celular.
De acordo com o inquérito policial, apresentado pelo Fantástico no domingo (3/5), enquanto Benício estava na sala vermelha, a médica acompanhava a evolução do quadro e, ao mesmo tempo, mantinha conversas com clientes no WhatsApp, acertando valores, descontos e formas de pagamento na venda de produtos de beleza.
“É como se ela não estivesse ali com um paciente lutando pela vida”, afirmou o delegado Marcelo Martins.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasConforme a polícia, a médica ficou boa parte do tempo mexendo no celular, enquanto o menino era atendido.
“Enquanto meu filho precisava de ajuda, ela estava ao celular, vendendo cosméticos, ignorando tudo o que estava acontecendo”, relatou Joyce Xavier, mãe de Benício.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA médica, identificada como Juliana Brasil, foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual, ou seja, quando a pessoa assume o risco de causar a morte. A profissional também poderá responder por fraude processual e falsidade ideológica.
O caso
Benício foi levado ao hospital com sintomas de tosse seca e suspeita de laringite. A médica da unidade teria recomendado lavagem nasal, soro e três doses do medicamento adrenalina, de 3 miligramas cada, a serem aplicadas de maneira endovenosa (na veia), de 30 em 30 minutos.
As recomendações foram seguidas pela equipe de enfermagem.
A prescrição foi feita sem conferência e chegou à técnica de enfermagem, que aplicou o medicamento mesmo após a mãe da criança questionar, dizendo que o filho nunca havia recebido adrenalina na veia.
A dose de adrenalina teria sido fatal para o garoto. Em mensagens, a médica admite ao diretor de plantão que errou na prescrição. “O paciente desmaiou. Pelo amor de Deus. Eu errei a prescrição”, comenta a mulher.
“Prescrevi inalação com adrenalina e acabaram fazendo ‘ev’ (endovenosa). O paciente está passando mal, ficou todo amarelo. Pede para alguém da UTI descer. Urgente”, diz a médica.
Benício foi levado às pressas para a sala vermelha, de emergências. Os pais dizem que ele estava consciente, mas tinha dificuldade para respirar.
O menino não resistiu e morreu na madrugada de 23 de novembro de 2025.
Além da médica responsável pela prescrição errada e da técnica de enfermagem que aplicou a injeção de adrenalina, dois diretores do hospital foram responsabilizados pela morte do menino.









