metropoles.com

Cannabis: termina nesta terça prazo para governo regular o cânhamo

Se regulamentada, a cadeia produtiva do cânhamo no Brasil pode gerar mais de 14 mil empregos e receitas líquidas de R$ 5,76 bilhões até 2030

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Getty Images
Foto colorida de mão enluvada segurando folha de cannabis fresca contra fundo amarelo - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de mão enluvada segurando folha de cannabis fresca contra fundo amarelo - Metrópoles - Foto: Getty Images

Termina nesta terça-feira (30/9) o prazo estabelecido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que o governo federal regulamente o cânhamo industrial – variedade da planta Cannabis sativa – no Brasil. A decisão, fruto do Incidente de Assunção de Competência (IAC 16), obriga o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a detalharem as regras para o cultivo e uso da planta para fins medicinais, de pesquisa e industriais.

O Mapa já havia avançado na pauta, com a portaria que autoriza a importação de sementes de cânhamo industrial, definindo critérios para que instituições de pesquisa e empresas autorizadas possam cultivar variedades com até 0,3% de THC, o principal composto psicoativo presente na planta da maconha.

A Anvisa, por sua vez, ainda finaliza o a minuta da resolução que altera a Portaria 344/1998 – norma que regula todas as substâncias controladas no Brasil, incluindo a Cannabis. Com a alteração, estarão previstas as distinções entre a maconha recreativa e cânhamo industrial, o que permitirá que produtores e instituições de pesquisa cultivem a planta legalmente para fins medicinais, científicos e industriais.

A proposta define regras rígidas: cada produtor precisará de autorização especial da Anvisa, rastreabilidade da produção, monitoramento por câmeras e destruição obrigatória de plantas que ultrapassem o limite de 0,3% THC.

Segundo um resumo técnico de agosto deste ano, elaborado em conjunto pela Associação Brasileira das Indústrias de Cannabis (Abicann) e pelo Centro de Tecnologia e Inovação da Cannabis (Cticann), o processo de regulamentação do cânhamo no Brasil tem três grandes desafios: coordenação operacional, com uma distinção clara entre fiscalização fitossanitária – conjunto de ações voltadas para proteger a saúde das plantas, relacionada ao Mapa – e controle sanitário, papel da Anvisa, maior diálogo com o setor e definições técnicas de segurança.

Vários países já regularizaram o cânhamo industrial, entre eles o Canadá, os Estados Unidos e a China, que é um dos maiores produtores mundiais da maconha industrial. Um relatório produzido pela Embrapa e o Instituto Ficus, em 2023, estimou que o mercado global de derivados de cânhamo chega a US$ 7 bilhões, com projeções de crescimento anual de 16% a 25% até 2033.

Se regulamentada, a cadeia produtiva do cânhamo no Brasil pode gerar mais de 14 mil empregos e receitas líquidas de R$ 5,76 bilhões até 2030, superando o retorno financeiro de culturas como algodão, soja, milho, girassol, gergelim e canola, tanto na produção de fibras quanto de sementes.

Os principais beneficiados com a regulamentação da maconha industrial no país, no curto prazo, são produtores, empresas e investidores, que se beneficiam do acesso à cadeia produtiva e poderão cultivar o cânhamo como nova commodity. No médio e longo prazo, pacientes e pesquisadores ganham com mais produtos regulamentados, estudos clínicos e desenvolvimento tecnológico.

Em 2024, o Brasil atingiu a marca de 672 mil pacientes que se tratam com cannabis medicinal, número recorde e 56% superior ao do ano passado. O dado consta do anuário produzido pela Kaya Mind. O segmento movimentou R$ 853 milhões.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?