
Candidatura de Zema também mira sobrevivência nacional do Novo
Ex-governador será a principal vitrine nacional do partido, que não superou a cláusula de barreira em 2022, quando teve 1,24% dos votos

A candidatura de Romeu Zema à Presidência da República não atende apenas ao projeto político do ex-governador de Minas Gerais. Para o Novo, a campanha também funciona como instrumento para nacionalizar a legenda, ampliar a bancada no Congresso e evitar a repetição do desempenho de 2022, quando o partido não alcançou a cláusula de barreira.
A aposta é usar a exposição nacional de Zema para abrir palanques nos estados e impulsionar as candidaturas à Câmara dos Deputados.
O desempenho do presidenciável, porém, não entra diretamente no cálculo da cláusula: são considerados os votos válidos para deputado federal ou o número de parlamentares eleitos pela legenda.
Em 2022, o Novo recebeu 1.354.754 votos na disputa pela Câmara, o equivalente a 1,24% dos votos válidos, e elegeu três deputados federais.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNaquele pleito, o partido precisava alcançar pelo menos 2% dos votos, distribuídos por nove unidades da Federação, ou eleger 11 deputados em ao menos nove estados. Não cumpriu nenhum dos dois critérios.
Como consequência, a legenda deixou de participar da distribuição do Fundo Partidário a partir de fevereiro de 2023 e perdeu o acesso à propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão.
A cláusula não extingue o partido, mas reduz sua estrutura financeira e sua capacidade de manter presença nacional entre uma eleição e outra.
O desafio será maior em 2026. Pelas regras previstas na Emenda Constitucional nº 97, o Novo precisará obter ao menos 2,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em nove estados, com um mínimo de 1,5% em cada um deles. A alternativa será eleger pelo menos 13 deputados federais.
Zema vira aposta do Novo para superar cláusula de barreira
- Zema será a principal vitrine nacional do Novo, com a missão de abrir palanques e impulsionar candidaturas à Câmara;
- O partido não superou a cláusula de barreira em 2022, quando teve 1,24% dos votos e elegeu três deputados federais;
- O desafio será maior em 2026: a legenda precisará de 2,5% dos votos válidos ou de ao menos 13 deputados eleitos.
- A sobrevivência nacional do Novo depende da eleição proporcional, já que os votos de Zema não entram diretamente no cálculo da cláusula.
Em busca do crescimento
Atualmente, o Novo tem cinco deputados em exercício: Adriana Ventura (SP), Gilson Marques (SC), Luiz Lima (RJ), Marcel van Hattem (RS) e Ricardo Salles (SP).
O tamanho atual da bancada, ampliado por filiações realizadas durante a legislatura, contudo, não garante o cumprimento da cláusula. A conta será refeita com base exclusivamente no resultado das urnas deste ano.
A direção nacional já vinha sinalizando que a expansão territorial seria prioridade.
Ao anunciar mudanças na política de financiamento eleitoral, em 2024, o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que a legenda buscava se tornar “um partido mais forte”, ter representatividade em todos os estados e “eleger mais pessoas”.
Zema então assume o papel de principal vitrine eleitoral da sigla. Além de participar dos debates presidenciais e percorrer o país, o candidato poderá dividir agendas com nomes da legenda nos estados e tentar associar as disputas proporcionais ao projeto nacional apresentado pelo Novo.
A estratégia, no entanto, dependerá da capacidade de transformar a visibilidade do presidenciável em votos para a Câmara.
O partido também lançou candidato próprio ao Planalto em 2022, com Felipe d’Avila, mas não conseguiu converter a campanha nacional em desempenho suficiente nas eleições proporcionais.







