Câmara: relator recua e pede 3 meses de suspensão a Gilvan da Federal
A Mesa Diretora da Casa pediu suspensão do mandato por 6 meses por ofensas à ministra Gleisi Hoffmann, mas relatório reduziu tempo

O relator do pedido de suspensão cautelar do mandato do deputado Gilvan da Federal (PL-ES) por seis meses, deputado Ricardo Maia (MDB-BA), recuou em seu relatório e reduziu o prazo para três meses. Inicialmente, Maia havia apresentado um parecer referendando o pedido da Mesa Diretora da Câmara pela suspensão de Gilvan por seis meses.
De autoria da Mesa Diretora, a representação alega quebra de decoro parlamentar. Gilvan da Federal se envolveu na semana passada em uma nova briga com o líder do Partido dos Trabalhadores na Casa Baixa, Lindbergh Farias (PT-RJ), e usou palavras de baixo calão para se referir à ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. O pedido da Mesa foi feito um dia depois da confusão.
O recuo do relator se dá em um dia depois que Gilvan pediu desculpas no plenário da Câmara por suas ações.
“Vai haver reunião do Conselho de Ética e que já quero me antecipar, assumindo um compromisso de mudança de comportamento no plenário e nas comissões. Mesmo sendo atacado ou provocado pelo PT e pelo PSOL, assumo o compromisso de comunicar esse ataque à Mesa Diretora e não fazer o que eu vinha fazendo”, disse.
O parlamentar se desculpou “com quem se sentiu ofendido” e se comprometeu a mudar de comportamento. Não é a primeira confusão que ele se envolve. Ele já falou em uma das comissões da Câmara que desejava a morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois, ele se retratou de sua fala.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesMesa Diretora diz que deputado excedeu direito
No documento enviado ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, a Mesa Diretora diz que o deputado “incorreu em condutas incompatíveis com o decoro parlamentar (…), ao proferir manifestações gravemente ofensivas e difamatórias” contra Gleisi, “em evidente abuso das prerrogativas parlamentares, o que configura comportamento incompatível com a dignidade do mandato”.
Para os integrantes da mesa, Gilvan feriu a imagem da ministra das Relações Institucionais, além de ter feito “insinuações ultrajantes, desonrosas e depreciativas”.
“Para além da honra e da imagem da ministra Gleisi Hoffmann, a honra objetiva do Parlamento foi inegavelmente maculada pela conduta do representado”, destaca trecho do texto.
A Mesa Diretora prosseguiu a representação afirmando que as declarações do deputado do PL “excederam o direito constitucional à liberdade de expressão, caracterizando abuso das prerrogativas parlamentares”.
Recurso ao plenário
Depois de aprovado no Conselho de Ética,ainda pode ser apresentado recurso ao plenário, sendo necessário o voto da maioria absoluta dos parlamentares (257) para manter a suspensão do mandato.
O recurso poderá ser apresentado pelo próprio deputado ou pelo seu partido, por exemplo.



