metropoles.com

Câmara aprova projeto que pode punir crimes da ditadura atualmente

Proposta, que segue ao Senado, tipifica o crime de “desaparecimento forçado pelo Estado” com até 20 anos e torna o ato imprescritível

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Câmara dos Deputados
1 de 1 Câmara dos Deputados - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (2/3), um projeto que insere no Código Penal o crime de “desaparecimento forçado” de pessoas, cometido pelo Estado ou por funcionários públicos com a conivência do governo.

O texto segue para o Senado. Pela redação aprovada, há a possibilidade de familiares de vítimas da ditadura militar acionarem a Justiça para reabertura de casos, segundo parlamentares da oposição. 

De acordo com o relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), no entanto, isso não seria possível. “O projeto trata de crime de natureza permanente e somente serão julgados casos de desaparecimento forçado que se perpetuem após a entrada em vigor da lei por causa do princípio de irretroatividade da lei penal, independentemente da data de início da ação delitiva”, afirmou.

A proposta torna o crime de desaparecimento forçado “imprescritível”, ou seja, pode ser apurado e punido a qualquer tempo, independentemente de quando tenha sido cometido. Na prática, casos que nunca tiveram conclusão, como os citados acima, poderão ser reabertos.

A Lei da Anistia, aprovada em 1979, perdoou crimes cometidos durante a ditadura que já haviam sido julgados. A oposição tentou aprovar uma emenda para excluir os beneficiados pela anistia da lei, mas a mudança foi rejeitada.

O que prevê o projeto

O texto também considera crime ocultar informações sobre o paradeiro da vítima ou negar a existência da privação de liberdade.

A pena prevista é de 10 a 20 anos de reclusão, além de multa, e se aplica também a quem ordena, autoriza, encobre ou deixa de fornecer informações que permitam localizar a vítima.

 Se houver tortura, crueldade, aborto ou lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a punição sobe para 12 a 24 anos, e para 20 a 30 anos se o crime resultar em morte.

A pena ainda pode ser aumentada de um terço até a metade se o desaparecimento durar mais de 30 dias, envolver vítima vulnerável, houver abuso de autoridade ou retirada da vítima do país.

O relator do projeto, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), argumentou haver casos na história do país de desaparecimento de pessoas, como durante a ditadura militar (1964-1985), que jamais foram punidos.

Orlando usa o Caso Gomes Lund para sustentar que o Brasil tem obrigação internacional de tipificar o desaparecimento forçado. No parecer, ele lembra que a Corte Interamericana de Direitos Humanos determinou que “o Brasil deve adotar as medidas que sejam necessárias para tipificar o delito de desaparecimento forçado de pessoas, em conformidade com os parâmetros interamericanos”.

Em discurso a favor da proposta, o deputado Chico Alencar (PSol-RJ) citou os casos de Rubens Paiva, Stuart Angel Jones, Amarildo de Souza e Patrícia Amieiro.

  • Rubens Paiva, ex-deputado federal, foi preso por agentes da ditadura militar em 1971 e desapareceu após ser levado para dependências do Exército no Rio de Janeiro. Seu corpo nunca foi localizado.
  • Stuart Angel, militante contra o regime militar, foi preso e morto sob tortura em 1971. A família diz que seus restos mortais jamais foram entregues.
  • Amarildo desapareceu em 2013 após ser detido por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, no Rio.
  • Já Patrícia Amieiro sumiu em 2008 depois de uma abordagem policial. Em ambos os casos, investigações apontaram envolvimento de agentes do Estado.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?