Brumadinho conta seus mortos. Veja quem são as vítimas da tragédia

Equipes de resgaste admitem que chances de localização de sobreviventes são reduzidas com o passar do tempo

atualizado 27/01/2019 22:08

Enquanto as buscas por sobreviventes avançam, Brumadinho (MG) continua a contar seus mortos. Dos 58 confirmados até o momento, 19 foram identificados.

Conheça a história de algumas das vítimas da catástrofe com a barragem Mina do Feijão, que se rompeu na tarde de sexta-feira (25/1) e devastou uma cidade inteira.

 

Veja a relação dos mortos identificados até o momento:

Adriano Caldeira do Amaral

Carlos Roberto Deusdeti

Daniel Muniz Veloso

David Marlon Gomes Santana

Djener Paulo Las-Casas Melo

Eliandro Batista de Passos

Fabricio Henriques da Silva

Flaviano Fialho

Francis Marques da Silva

Jonatas Lima Nascimento

Leonardo Alves Diniz

Marcelle Porto Cangussu

Marcelo Alves de Oliveira

Maurício Lauro de Lemos

Moisés Moreira Sales

Renato Rodrigues Maia

Robson Máximo Gonçalves

Wellington Campos Rodrigues

Willian Jorge Felizardo Alves

Cadáveres dilacerados
Enquanto isso, a Polícia Civil continua trabalhando em Belo Horizonte para identificar os corpos encontrados, alguns estão dilacerados. Segundo o chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Wagner Pinto de Souza, 16 corpos foram reconhecidos e oito já foram entregues às famílias. Cerca de 460 parentes de moradores da região entregaram informação para ajudar nesse processo.

A Polícia Civil também está montando o inquérito policial. Agentes estão reunindo informações, periciando provas criminais e juntando provas técnicas e documentais. Ninguém foi intimado, mas houve a catalogação de possíveis testemunhas. A Vale tem cooperado com as investigações.

Médica foi a primeira identificada
A médica Marcelle Porto Cangussu foi a primeira vítima fatal que trabalhava na Vale quando a barragem desabou. A mulher estava na empresa desde 2016.

A mãe de Marcelle, Mirelle Porto, contou ao jornal O Globo que a filha tinha feito aniversário de 35 anos na quinta-feira (24), um dia antes da tragédia. “No dia 24 de janeiro, ficamos com ela até meia-noite. No dia seguinte, às 7h30, ela já estava no trabalho. A ideia era continuar as comemorações pelo aniversário com os amigos dela na noite de sexta-feira [25]”, disse.

Trabalhador deixa dois filhos
Outra vítima do rompimento da barragem de rejeitos de minério é Jonatas Lima Nascimento, que completou 15 anos de casado em 10 de janeiro deste ano. Embora não se saiba ainda a dimensão do desastre humano e ambiental, na vida da família de Jonatas a perda é de uma proporção incalculável.

Em poucas palavras, a esposa dele, Daihene Crizólogo, 31 anos, contou ao Metrópoles não ter parado para pensar, ainda, nos próximos passos. “Eu só quero ficar com meus amigos e lembrar do trabalhador que ele era. Depois, cobraremos as dívidas que a empresa tem com a gente”, disse. O casal tem dois filhos: uma menina de 10 anos e um menino de 6.

Daihene conta que Jonatas trabalhava em Brumadinho há três anos. Ele atuava na parte de carregamento da Vale. A esposa deixou o trabalho para cuidar do filho caçula, que é diabético. A casa da família no município não foi atingida, embora os parentes de Jonatas saíram nesta noite por precaução.

Sepulturas abertas
O terceiro dia de buscas terminou sem a localização de nenhum sobrevivente neste domingo (27/1).  Na atualização de 20h30, o Corpo de Bombeiros ainda contava com 305 pessoas desaparecidas. As chances de encontrar pessoas vivas é pequena, admitem integrantes das forças que ajudam no socorro.

No final da tarde deste domingo, pelo menos 98 sepulturas já haviam sido abertas e preparadas para os enterros no cemitério Parque das Rosas, no bairro Salgado Filho, a cerca de cinco minutos de carro do centro de Brumadinho. Entre os mortos, 19 corpos foram identificados.

Últimas notícias