Brasil tem 1,3 milhão de quilombolas, revela IBGE
Segundo censo inédito do IBGE, estados do Maranhão e da Bahia respondem por 50,19% da população quilombola do Brasil

O Brasil conta com 1,3 milhão de quilombolas, segundo pesquisa inédita do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O censo, que reúne informações de 2022, revelou informações sobre a localização desses povos tradicionais, além do cenário de regularização fundiária em que eles se encontram.
As comunidades quilombolas reúnem os descendentes e remanescentes de grupos formados por escravizados fugitivos. Elas estão descritas na Constituição de 1988 ao lado de outras populações originárias.
Nordeste com 68,19% da população quilombola
De acordo com a pesquisa, o Nordeste tem a maior população quilombola do país, com 68,19% da comunidade brasileira na região. Os estados do Maranhão e da Bahia respondem pela maior parte desse número. Juntos, eles abrigam 50,19% dos quilombolas brasileiros, mais da metade em todo o território nacional.
As cidades do Senhor do Bonfim (BA), Salvador (BA) e Alcântara (MA) têm os maiores números, com 47.512 membros da comunidade.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA ilha maranhense, no entanto, se destaca em nível de concentração populacional. Na proporcão com o total de moradores, 84,6% dos residentes de Alcântara são quilombolas.
Os estados do Acre e Roraima não registraram presença de pessoas da comunidade.
Fernando Damasco, gerente de Territórios Tradicionais e Áreas Protegidas do IBGE, explica a dinâmica territorial que os dados representam. De acordo com o especialista, existem quatro eixos principais de concentração espacial de quilombos no país.
“O primeiro é formado pelas regiões Sudeste e Nordeste em duas frentes principais: em torno da bacia do Rio São Francisco até Pernambuco e nas cidades litorâneas de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, com destacada presença no Vale do Ribeira, entre São Paulo e Paraná”, destaca.
“O segundo eixo está no baixo rio Amazonas, envolvendo municípios do Amazonas e da calha norte do Pará até a sua foz, além dos municípios do entorno de Belém e do Amapá. Esse eixo de concentração se projeta sobre o Maranhão, principalmente no entorno de São Luís, além de todo o norte do estado. Um terceiro eixo está entre a regiões Centro-Oeste e Norte, principalmente no entorno do Pantanal mato-grossense e na bacia do rio Guaporé. O quarto e último eixo, bastante expressivo, está no sul e sudeste do Rio Grande do Sul”, ressalta Fernando.
Luta e direitos
Os quilombos têm ganhado mais participação política no Brasil conforme reforçam a luta e o direito pelas terras que ocuparam historicamente. Neste ano, por exemplo, o Brasil teve de comparecer à Corte Interamericana de Direitos Humanos para ser julgado sobre caso de expulsão de quilombolas em terras da Ilha de Âlcantara, no Maranhão.
Durante a Ditadura Militar, na década de 70, a retirada das famílias foi motivada pela criação do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Mais de 300 famílias foram removidas de suas terras compulsoriamente. Há 13 anos, o processo de titulação na ilha segue emperrado.
Após comparecimento na Corte internacional, o país emitiu, pela primeira vez, um pedido de desculpas oficial às comunidades afetadas pela medida. O diálogo pela regulação fundiária, no entanto, continua sem atualizações.











