Brasil quer sediar evento mundial de atividades espaciais

A delegação brasileira vai aos Emirados Árabes defender candidatura do país para sediar Congresso Internacional de Astronáutica em 2024

atualizado 01/10/2021 17:36

Astronautas chegam à estação espacial a bordo da cápsula da SpaceXReprodução/Nasa

A cidade de São Paulo poderá receber, em 2024, o maior evento internacional sobre atividades espaciais. O Brasil oficializará sua candidatura como sede do principal evento de astronáutica do mundo em outubro deste ano, quando a delegação brasileira participará da 72ª edição do Congresso Internacional de Astronáutica (International Astronautical Congress, o IAC), entre os dias 25 e 29, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Em 2021, a Federação Internacional de Astronáutica, do qual o Brasil faz parte como membro, abrirá as portas para a comunidade espacial global, por meio do IAC: pela primeira vez, desde sua criação em 1950, o evento será realizado em um país árabe.

O Brasil considerou os seguintes aspectos para sugerir a cidade de São Paulo como sede da edição do Congresso de 2024:

  • fato de a cidade ser um dos centro financeiros mais importantes do mundo;
  • possuir uma localização estratégica para o aprimoramento da indústria espacial brasileira;
  • oferecer possibilidades amplas para o desenvolvimento de novas parcerias e expansão do setor junto aos países latino-americanos.

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Carlos Moura, afirmou que a participação do Brasil na concorrência é extremamente importante, já que houve uma preparação e empenho institucional, de forma e estrutural, para aformatação do Legado Espacial Brasileiro.

“Desejamos que o mundo conheça a nossa atuação, o que nos ajudará a ampliar novas ações, cooperações e parcerias. Por meio do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas com os EUA, efetivamos o Centro Espacial de Alcântara, aprovamos legislações, revisamos decretos e potencializamos políticas públicas convergentes que contribuirão para o ecossistema aeroespacial como, por exemplo, internet das coisas, marco legal de startups, Lei de TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), inovação, promoção e popularização da ciência para formar as próximas gerações para as carreiras do futuro e, em gestão, conseguimos definir bases sólidas no MCTI e em articulação com a nossa Agência Espacial Brasileira, vincula ao nosso ministério, para impulsionar projetos focados em toda a cadeia aeroespacial”, declarou.

Já o ministro Marcos Pontes aponta o objetivo do Programa Espacial Brasileiro, a partir da iniciativa. “Digo, com muita certeza, que o Brasil é o candidato ideal para sediar o IAC em 2024, pois tudo o que fizemos agora estará bem maturado e interessante. Sem desmerecer nossos concorrentes, mas temos muita a mostrar e contribuir neste setor”, diz.

Nos últimos dois anos, a atuação do Programa Espacial Brasileiro remodelou o cenário internacional. Exemplo disso é a assinatura do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), que permitiu a ampliação da utilização do espaço-porto da Base de Alcântara, no Maranhão, para as atividades espaciais, e outros feitos conduzidos pela Agência, como os lançamentos do satélite nacional Amazônia 1 e outros quatro nanossatélites, utilizados para coleta de dados para preservação e prevenção de riscos ambientais.

Brasil como sede do evento

A escolha da capital paulista para sediar o eventou também observou a qualificação de toda infraestrutura e os atrativos necessários para que os organizadores e os participantes do Congresso contem com a otimização entre o conforto e a competência para organização de megaeventos.

O país já teve uma oportunidade de sediar o IAC em 2020, no rio de Janeiro. A AEB ressalta a importância de inspirar a próxima geração, para arquitetar o futuro, a expansão e o desenvolvimento do ecossistema crescente do setor espacial no país.

IAC 2021

A Organização Anfitriã do IAC 2021, o Centro Espacial Mohammed Bin Rashid (MBRSC), membro da IAF desde 2012, foi estabelecida pelo Governo de Dubai para servir como um dos principais pilares para impulsionar o estabelecimento da economia do conhecimento e o desenvolvimento sustentável no Emirados Árabes Unidos.

O evento deste ano tem como tema “Inspire, inove e descubra benefícios para a humanidade” e objetiva contribuir para a humanidade e para a ciência, a partir do fortalecimento e aprimoramento da cooperação entre todos os países no setor espacial.

O país sede tem interesse pela astronomia e ciências espaciais desde a década de 1970, cerca de 20 anos depois do ingresso brasileiro no setor, quando o Sheikh Zayed bin Sultan Al Nahyan se reuniu com a equipe da NASA, responsável pelo pouso da Apollo na lua. O encontro desencadeou uma ação nacional com foco no espaço há quase três décadas, e levou ao nascimento de um setor espacial nacional nos país.

O Congresso acontece em um momento único para os Emirados Árabes: o lançamento da Emirates Mars Mission (Hope Probe), a primeira nave de exploração espacial árabe em Marte, acontecerá durante o evento.

O aniversário do retorno do primeiro astronauta dos Emirados da Estação Espacial Internacional e o segundo do lançamento do KhalifaSat, o primeiro satélite de observação da Terra a ser produzido totalmente pela Emiratis, também acontecerão nesta data.

Essas conquistas simbolizam o início de uma nova era no local, além de uma oportunidade para discutir sobre como a ciência e a tecnologia espaciais podem contribuir para o progresso de uma nação.

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