Brasil é o 3º país com mais mortes de profissionais da saúde por Covid-19

A pesquisa foi divulgada nesta sexta-feira pela Anistia Internacional. Número é 50% maior do que o divulgado pelo governo

atualizado 11/09/2020 13:00

AmbulânciaRafaela Felicciano/Metrópoles

Um levantamento da Anistia Internacional constatou que pelo menos 634 trabalhadores da saúde morreram no Brasil depois de contrair a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O número é 50% maior do que o divulgado pelo governo brasileiro.

O dado divulgado nesta sexta-feira (11/9) coloca o país em terceiro lugar no ranking mundial, atrás somente do México e dos Estados Unidos, onde 1.320 e 1.077 profissionais da saúde morreram com a doença, respectivamente.

Em comunicado, o diretor de Justiça Econômica e Social da Anistia Internacional, Steve Cockburn, afirmou que a crise está em escala “espantosa”.

“Todo trabalhador da saúde tem o direito à segurança no trabalho, e é um escândalo que tantos deles estejam pagando o preço mais alto de todos”, destacou.

Ele criticou a falta de materiais de proteção e cobrou ajuda internacional. “É preciso haver cooperação global para assegurar que todos os trabalhadores da saúde recebam equipamentos de proteção adequados, para que possam continuar realizando seu trabalho vital sem colocar a própria vida em risco”, concluiu.

Governo registra menos

O Ministério da Saúde trabalha com outros dados. O mais recente boletim epidemiológico referente à pandemia no país mostra que 1.219 profissionais de saúde contraíram a Covid-19, sendo que 321 morreram.

Sob essa perspectiva, o governo brasileiro registrou quase metade dos óbitos reunidos pela Anistia Internacional.

Versão oficial

Em nota, o Ministério da Saúde informou que os óbitos por Covid-19 divulgados no boletim Epidemiológico foram aqueles notificados no Sivep-Gripe — plataforma da Secretaria de Vigilância em Saúde— que possuíam a variável ocupação preenchida referente a categoria do profissional de saúde de acordo com o código da Classificação Brasileira de Ocupações.

“Caso esse campo não seja preenchido de forma adequada, não é possível identificar a categoria profissional do indivíduo que foi hospitalizado e ou foi a óbito”, explica o texto.

Além do registro de óbitos no Sivep-Gripe, o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) é o sistema oficial que registra os óbitos por todas as causas, tendo um prazo legal de até 60 dias para ser digitado.

“O SIM é alimentado pela declaração de óbito expedida pelos profissionais médicos, e também contém um campo para preenchimento da ocupação”, conclui o texto.

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