Bombeiro bêbado que matou ciclista não tem problema mental, diz laudo
Médico afirma que o bombeiro era “inteiramente capaz de entender seu caráter ilícito” e fez discurso “efetivamente distante e frio”
atualizado
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Rio de Janeiro – O capitão do Corpo de Bombeiros João Maurício Correia Passos, que responde pelo atropelamento e morte do ciclista Cláudio Leitte da Silva, de 52 anos, no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio, não sofre de problemas mentais, segundo laudo médico.
O documento do Instituto de Perícias Heitor Carrilho, atesta que o agente não apresenta sinais clínicos de doença mental tampouco de dependência química. A informação foi revelada pelo Extra.
Entretanto, o bombeiro é usuário nocivo de álcool e na ocasião, vídeos divulgados após o acidente, mostram que ele estava bebendo vodka e uísque em um posto de gasolina minutos antes de dirigir.
O exame indica que o capitão era totalmente capaz de entender o caráter criminoso do fato, que ocorreu em 11 de janeiro de 2021, na Avenida Lúcio Costa, zona oeste da cidade, e deixou o taxista que pedalava uma bicicleta, morto.
Laudo médico
Segundo o médico psiquiátrico Carlos Roberto Alves de Paiva, que fez a avaliação, disse que na história de vida de João Maurício Correia Passos em momento algum se evidencia descuido com a organização pessoal ou cuidados com a integridade física, características dos dependentes químicos do álcool.
Na narrativa do próprio bombeiro, não há provas de licenciamento do trabalho ou de tratamentos anteriores ao atropelamento por causa do suposto vício, atesta o médico.
No dia da perícia, determinado pela juíza Luciana Fiala de Siqueira Carvalho, da 31ª Vara Criminal da capital, o bombeiro compareceu com roupas que aparentam “apuro e vaidade”, de porte físico a demonstrar “cuidados regulares com a sua saúde pessoal”, diz o médico.
Segundo o profissional, a atitude faz parte de “conjunto de sinais que não combinam com uma história clínica comum daqueles que são efetivamente dependentes químicos de álcool”.
O médico ainda cita que o bombeiro fez “discurso claramente organizado previamente, mas efetivamente distante e frio”. Para o médico, ele descreveu de maneira teatralizada sua condição de inconsciência ao ter, segundo ele, permanecido na sequência imediata aos fatos, jogado num córrego onde habitam jacarés até recobrar a consciência.
Mesmo estando sob o efeito do álcool no momento do acidente, o médico atesta que não há dados que comprovem sua versão de inconsciência naquele momento, e conclui que ele era “inteiramente capaz de entender seu caráter ilícito”.








