Bolsonaro evita falar sobre Zambelli: “Tem censura no Brasil ou não?”
Bolsonaro foi questionado por repórteres, ao chegar à sede do Partido Liberal (PL), sobre a prisão da deputada federal e ficou em silêncio
atualizado
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) evitou se manifestar, nesta quarta-feira (30/7), sobre a prisão da deputada federal Carla Zambelli. Ao ser questionado por jornalistas, ao chegar à sede do PL, Bolsonaro, a princípio, ficou em silêncio, mas, logo depois, respondeu com uma pergunta: “Tem censura no Brasil ou não?”.
Veja:
Foragida da Justiça brasileira, Carla Zambelli foi presa nesta terça-feira (29/7), em Roma, na Itália.
Por decisão do ministro do Supremo Alexandre de Moraes, não há qualquer proibição para que o ex-presidente conceda entrevistas, mas, como há veto em relação ao uso de redes sociais, o político tem evitado declarações.
O que está acontecendo?
- O ex-presidente Jair Bolsonaro foi alvo de operação da Polícia Federal (PF) e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica, além de estar sujeito a outras medidas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, como a proibição do uso das redes sociais, inclusive por meio de outras pessoas.
- Na tarde de terça (22/7), o ministro Moraes proferiu despacho no qual explicitou que a cautelar de proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, “inclui, obviamente, as transmissões, retransmissões ou veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas em qualquer das plataformas de redes sociais de terceiros”.
- O despacho de Moraes detalhando as restrições ao ex-presidente foi publicado após questionamento do Metrópoles sobre o temor manifestado pelo ex-presidente de que conceder entrevista poderia levá-lo à prisão.
- Na quinta-feira (24/7), o ministro não decretou a prisão do ex-presidente, mas fez uma advertência: caso ele descumpra novamente alguma regra, a prisão será imediata.
- Os advogados de Bolsonaro argumentaram que o ex-presidente não violou as regras impostas, e que ele não tem poder sobre as redes sociais de terceiros.
No fim de maio, Zambelli fugiu do Brasil após ser condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no caso de invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Antes de chegar à Itália, onde possui cidadania, a parlamentar passou pelos EUA. Ela foi presa em um apartamento, em Roma, onde morava desde o início de junho. De acordo com o deputado italiano Angelo Bonelli, as autoridades encontraram a brasileira graças a uma denúncia realizada por ele.
A Polícia Federal (PF) detalhou a participação do órgão na prisão de Zambelli. Em nota, a instituição afirmou que contou com a ajuda de autoridades italianas e da Interpol para localizar e prender a parlamentar.
Bolsonaro cumpre medidas cautelares
O ex-presidente foi alvo de operação da Polícia Federal no último dia 18. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, impôs a Bolsonaro uso de tornozeleira eletrônica e algumas restrições, como a proibição de uso de redes sociais, recolhimento domiciliar noturno entre 19h e 6h, impedimento de sair de casa nos fins de semana e veto ao contato com outros investigados, incluindo o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-mandatário.
Na decisão, Moraes apontou que as investigações indicam que Bolsonaro e Eduardo teriam atuado para pressionar governos estrangeiros, em especial os Estados Unidos, a adotar sanções contra agentes públicos brasileiros.
Na segunda-feira da semana passada (21/7), o ex-presidente mostrou à imprensa a tornozeleira e afirmou que ela “é o símbolo da máxima humilhação”. Moraes cobrou explicações de Bolsonaro, ressaltou que “houve descumprimento da medida cautelar” e advertiu que, se ocorrer novamente, a conversão em prisão preventiva será imediata.








