Bolsonaro elogia CFM por manter parecer do tratamento precoce da Covid-19
Conselho de Medicina afirmou que não haverá mudança no documento que dá autonomia para receitar remédios sem eficácia contra a Covid-19

Em videoconferência com investidores nesta terça-feira (26/1), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender o chamado tratamento precoce contra a Covid-19, apesar da ausência de comprovação científica da administração de medicamentos no tratamento da doença.
Segundo ele, o Conselho Federal de Medicina (CFM) exalta a independência do médico e do paciente na prescrição de medicamentos, como hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina, contra o novo coronavírus.
“Quero cumprimentar o Conselho Federal de Medicina, que fez publicar no dia de hoje em muitos jornais uma matéria onde ele praticamente apela para que respeitem o médico. O médico e o paciente têm que ser respeitados. Quem decide o tratamento precoce de uma pessoa infectada — já que não temos o medicamento ainda comprovado cientificamente — é o médico. O médico pode, na ponta da linha, decidir em comum acordo com o paciente o que vai receitar”, disse.

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Ver todasNa segunda-feira (25/1), o presidente do CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro, publicou artigo no jornal Folha de S.Paulo no qual afirma existir uma politização em torno do tratamento precoce com hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina. Segundo o artigo, não haverá mudança no parecer do conselho que dá autonomia médica sobre esse tratamento.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO parecer em questão foi publicado em meados de 2020, depois que o CFM deliberou que é decisão do médico assistente realizar o tratamento que julgar adequado, desde que com a concordância do paciente infectado. O parecer observa que o médico deverá comunicar ao paciente que não existe benefício comprovado no tratamento farmacológico da Covid-19 e obter o consentimento livre e esclarecido.
Laudos questionados
Bolsonaro também questionou a veracidade dos laudos que atestam mortes por Covid-19 no Brasil para embasar uma declaração sobre a posição do Brasil em mortos por milhão de habitantes.
“Há poucos meses, nós éramos o quarto país em mortes por milhão de habitantes. Hoje, somos o 26º. Alguma coisa aconteceu. Até que pesem muitos laudos, que são forçados, dados como se Covid-19 fossem. Na verdade, nós sabemos que não é. Mas vamos supor que todos os laudos fossem verdadeiros. O Brasil, realmente, cada vez mais morre menos gente por milhões de habitantes”, disse o presidente.
Segundo o site Worldometer, o Brasil está na 27ª posição em mortes por milhão.
“Isso, no meu entender, é a preocupação, é o profissionalismo do médico brasileiro, que busca uma solução para esse problema. Afinal de contas, muitas doenças não teríamos achado o remédio se não fosse o tratamento off-label”, defendeu.
Bolsonaro participou nesta terça de evento sobre investimentos na América Latina promovido pelo banco Credit Suisse. Na participação por videoconferência, o presidente esteve acompanhado dos ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e da Economia, Paulo Guedes.













