Bolsonaro diz que Queiroga não vai comprar Coronavac em 2022

A declaração foi dada durante conversa com jornalistas e apoiadores, em Guarujá, São Paulo, onde o mandatário passa o feriadão

atualizado 10/10/2021 17:55

Presidente Jair Bolsonaro e o Ministro Marcelo Queiroga durante evento de Assinatura do contrato de transferência de tecnologia da AstraZeneca para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Brasília.Igo Estrela/Metrópoles

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), afirmou, neste domingo (10/10), que o governo não comprará mais doses da vacina Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan.

A declaração foi dada durante conversa com jornalistas e apoiadores, em Guarujá, São Paulo, onde o mandatário passa o feriado prolongado.

Questionado sobre as vacinas compradas para o calendário de vacinação contra a Covid-19 no ano que vem, Bolsonaro disse que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, não vai mais adquirir a Coronavac.

“Queiroga parece que não vai comprar mais a Coronavac, se não me engano. Acho que está nessa linha. Porque tem a validade, segundo ele me disse, em torno de seis meses. Quem já foi vacinado há mais de seis meses o cartão de vacina tá irregular. A demagogia do cartão de vacina”, afirmou.

O mandatário disse que o Ministério da Ciência e Tecnologia, chefiado por Marcos Pontes, está coordenando o desenvolvimento de 15 novas vacinas contra o coronavírus.

“Tem o Marcos Pontes que está desenvolvendo, acho, 15 novas vacinas. Tecnologia nossa. Vamos, infelizmente, ter que conviver com o coronavírus a vida toda”, pontuou.

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Acusações contra Butantan

Durante a conversa com apoiadores, Bolsonaro foi questionado se compraria a vacina 100% nacional em desenvolvimento pelo Instituto Butantan, a Butanvac. O mandatário disse que a pergunta deveria ser feita à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O presidente foi questionado se compraria o imunizante caso ele fosse autorizado pela Anvisa. Ele citou a compra da Coronavac e disse que o Butantan vendeu a vacina por um preço elevado, acima do valor oferecido pela fabricante do fármaco.

“Nós compramos. Passou na tangente, 50,38% [de eficácia]. Agora vocês nunca perguntaram, nós compramos do Butantan a vacina a 10 dólares. Sabia que a matriz ofereceu para nós a 5 dólares?”, disse.

O presidente afirmou que a Controladoria-Geral da União está investigando o caso. “Vamos ver se teve algo errado ou não no Butantan, não sei. O Wagner Rosário [ministro-chefe da CGU] tá investigando. Temos documentado a oferta para nós a 5 dólares, e o Butantan tá vendendo a 10”, concluiu.

Feriado prolongado

A expectativa é a de que o presidente passe o feriado prolongado no litoral e só retorne a Brasília na terça (12/10) ou quarta-feira (13/10). Bolsonaro não tem compromissos oficiais para os próximos quatro dias, mas existe expectativa de que ele visite Aparecida do Norte.

O mandatário está acompanhado do deputado federal Helio Lopes (PSL-RJ) e de assessores.
Calendário de Vacinação

O Ministério da Saúde divulgou, na sexta-feira (8/10), que o público de 18 a 60 anos de idade vai receber uma dose de reforço para a imunização contra a Covid-19 no ano de 2022. A pasta vai disponibilizar para a população 354 milhões de imunizantes no ano que vem.

De acordo com o ministro Marcelo Queiroga, para que isso aconteça serão investidos R$ 11 bilhões. O governo estima aplicar mais duas doses na população acima de 60 anos e imunossuprimidos, com o intervalo de seis meses, além de mais uma dose de reforço na população até 59 anos. A pasta ainda não descarta a possibilidade de ampliar o público-alvo da campanha.

 

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