“Bolsonaro assinou aquela carta como prova de fragilidade”, diz Lula

Ex-presidente Lula, em entrevista a rádio de GO, disse que presidente Bolsonaro deu prova de fragilidade ao assinar carta escrita por Temer

atualizado 17/09/2021 10:57

Ex-presidente Lula dá entrevista à Rádio Sagres, em GoiásReprodução/redes sociais

Goiânia – Em entrevista à Rádio Sagres, de Goiás, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta sexta-feira (17/9), que a carta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à nação logo após as manifestações do último dia 7 de setembro, apenas dão provas de “sua fragilidade”. A carta foi redigida pelo ex-presidente Michel Temer (MDB) e assinada pelo atual mandatário do país. No texto, Bolsonaro pede desculpas às instituições que teria agredido nos atos do Dia da Independência.

“Eu não sei se alguém acreditou na nota feita pelo Temer para o Bolsonaro. Ele apenas assinou aquela carta como prova de sua fragilidade. A nota foi apenas confirmação da fragilidade do presidente Bolsonaro”, disse Lula, em entrevista ao vivo aos jornalistas Rubens Salomão e Cileide Alves.

Sobre a intercessão do ex-presidente Temer no caso, Lula disse que, na verdade, isso nem seria necessário, caso Bolsonaro tivesse uma postura de estadista. “Acho que ninguém precisava dar conselho que o presidente [Bolsonaro] precisa respeitar as pessoas e as instituições”, acrescentou.

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Pesquisas

Na conversa, o ex-presidente falou sobre o quadro político de maneira geral no país e mesmo em Goiás. Sobre a pesquisa divulgada esta semana pelo Datafolha, Lula não se mostrou empolgado com a vantagem que tem nos diferentes cenários. Ele ainda acha que é cedo para uma avaliação mais concreta.

“Acho muito cedo para avaliar pesquisa neste momento. Elas serão mais contundentes a partir da campanha iniciada”, resumiu.

O ex-presidente petista entende que ainda falta muito tempo para a campanha em si. Ele comparou a situação como uma corrida. “Ainda falta muito tempo para outubro de 2022. Campanha política é maratona. É preciso dar os passos certos na hora certa”, disse.

De toda maneira, Lula acha difícil a consolidação de uma terceira via para quebrar a polarização que existe entre ele e Bolsonaro. Ele ressaltou que as manifestações de 7 de setembro mostraram que o atual presidente tem uma base em torno de 20% e que isso é significativo em um país do porte do Brasil.

Espaço para o pobre

Lula deu o tom que deve prevalecer na sua futura campanha. Ele deve focar nas classes menos favorecidas da população. “O povo não pode continuar sofrendo como está sofrendo hoje”, disse.

Segundo ele, os mais pobres precisam ter mais espaço, serem incluídos no orçamento na União para contribuir com a economia.

“Quero que o pobre coma filé, picanha e tome uma cervejinha. Quero que o pobre viaje de avião. O pobre precisa entrar no orçamento da união. O pobre precisa trabalhar. Quem não quiser isso, não precisa votar no Lula”, afirmou.

O ex-presidente disse não ter dúvidas de que fez mais do que outros presidentes, mas que ainda tem uma dívida com o povo brasileiro. E isso, segundo ele, é o que o motiva a encarar mais uma corrida eleitoral. Lula, inclusive, fez uma contraposição clara ao perfil do atual presidente.

“Em nosso governo teremos menos armas e mais livros. Menos violência e mais educação. Menos bravata e mais paz”, reforçou.

MDB e Caiado

O MDB anunciou, esta semana, um acordo com o governador Ronaldo Caiado (DEM). O presidente estadual da legenda, o ex-deputado federal Daniel Vilela, confirmou que a maior parte dos diretórios emedebistas votaram nesse sentido. A aliança serviria tanto para uma parceria administrativa quanto para as eleições do ano que vem.

Lula se disse triste por isso. Segundo ele, isso mostra um recuo do MDB em Goiás, onde, historicamente, foi adversário do grupo de Caiado. “Isso demonstra uma involução do MDB ao se aliar com uma pessoa pouco democrática como o Caiado”, disse.

Recentemente, o PT e o MDB foram aliados em campanhas tanto para o governo do estado quanto para a prefeitura de Goiânia. O ex-prefeito petista Paulo Garcia (já falecido), por exemplo, foi vice de Iris Rezende, assumiu o mandato quando o emedebista saiu para disputar o governo (foi derrotado) e depois se elegeu prefeito.

Aliás, o ex-governador e ex-prefeito Iris Rezende, que encontra-se internado e convalescendo de um acidente vascular cerebral hemorrágico em São Paulo, foi um dos principais articuladores e defensores da aliança com Caiado. Em Goiás, o MDB é adversário histórico do PSDB e do grupo do ex-governador tucano Marconi Perillo pelo menos desde meados dos anos 1990.

Em tempo: Caiado e Marconi foram aliados durante bom tempo desta época para cá.

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