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Brasil

Bolsonaro apoia candidatura de Michelle em meio à briga com Flávio

Ex-primeira-dama colocou uma possível candidatura ao Senado pelo DF em segundo plano após deixar o PL Mulher

11/07/2026 04:30
DANILO M. YOSHIOKA/ESPECIAL METRÓPOLES @danilomartinsyoshioka
MIchelle Bolsonaro acompanha Jair Bolsonaro durante ato na Avenida Paulista, em São Paulo, pedindo a anistia dos presos pelos ataques ao Três Poderes no dia 8 de janeiro - Metrópoles 6

Em meio a uma disputa familiar, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem incentivado que a esposa, Michelle Bolsonaro, dispute uma das duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal na eleição deste ano.

Michelle nunca admitiu publicamente ter a intenção de concorrer ao Senado e, ao ser questionada, tem dito que a candidatura seria consequência de um “chamado de Deus” e que aguardará até as convenções partidárias — que ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto — para tomar uma decisão.

A ex-primeira-dama tem dito a aliados, ouvidos sob reserva pelo Metrópoles, que é o marido quem insiste no pleito. O Senado tem uma importância particular para Bolsonaro que tem montado uma estratégia para emplacar aliados de primeira ordem na Casa Alta.

Isso se dá porque cabe ao Senado decidir sobre pautas caras para o bolsonarismo, como o impeachment e a indicação de ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF). Além de Michelle, Bolsonaro tenta emplacar Carlos Bolsonaro (PL) como senador por Santa Catarina e Eduardo Bolsonaro como suplente por São Paulo.

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Nesta semana, Michelle perdeu um dos principais oponentes na disputa por uma vaga ao Senado: ex-governador do DF, Ibaneis Rocha declarou ao Metrópoles ter desistido do pleito à Casa Alta.

A desistência abre espaço na direita para uma aliança com duas candidatas do Partido Liberal: Michelle e a deputada federal Bia Kicis (PL). Além das duas, outros três nomes se colocam como pré-candidatos ao Senado pelo DF: a deputada federal Erika Kokay (PT), a senadora Leila Barros (PDT) e o ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo).

Saúde de Bolsonaro e briga com Flávio pesam para Michelle

A candidatura de Michelle, que era dada como certa, tornou-se uma incerteza após a saída conturbada da presidência do PL Mulher, no dia 30 de junho. A ex-primeira-dama deixou o comando da ala feminina do partido após entrar em uma briga pública com o enteado e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL).

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Michelle nunca admitiu publicamente ter a intenção de concorrer ao Senado e, ao ser questionada, tem dito que a candidatura seria consequência de um “chamado de Deus”
Michelle Bolsonaro cortou os laços
Após a repercussão, Flávio Bolsonaro divulgou nota afirmando que não teve a intenção de ofender Michelle e pediu desculpas
Michelle Bolsonaro entregou o cargo no PL Mulher após Valdemar Costa Neto tentar convencê-la a fazer uma retratação pública sobre Flávio
Michelle admitiu para aliados que Jair Bolsonaro é quem mais insiste que ela dispute o Senado
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Michelle admitiu para aliados que Jair Bolsonaro é quem mais insiste que ela dispute o Senado

Reprodução/Instagram
Michelle nunca admitiu publicamente ter a intenção de concorrer ao Senado e, ao ser questionada, tem dito que a candidatura seria consequência de um “chamado de Deus”
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Michelle nunca admitiu publicamente ter a intenção de concorrer ao Senado e, ao ser questionada, tem dito que a candidatura seria consequência de um “chamado de Deus”

DANILO M. YOSHIOKA/ESPECIAL METRÓPOLES @danilomartinsyoshioka
Michelle Bolsonaro cortou os laços
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Michelle Bolsonaro cortou os laços

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Após a repercussão, Flávio Bolsonaro divulgou nota afirmando que não teve a intenção de ofender Michelle e pediu desculpas
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Após a repercussão, Flávio Bolsonaro divulgou nota afirmando que não teve a intenção de ofender Michelle e pediu desculpas

Reprodução/Metrópoles
Michelle Bolsonaro entregou o cargo no PL Mulher após Valdemar Costa Neto tentar convencê-la a fazer uma retratação pública sobre Flávio
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Michelle Bolsonaro entregou o cargo no PL Mulher após Valdemar Costa Neto tentar convencê-la a fazer uma retratação pública sobre Flávio

Hugo Barreto/Metrópoles

Michelle Bolsonaro entregou o cargo após o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tentar convencê-la a fazer uma retratação pública sobre o vídeo em que diz que Flávio a “maltratou”, “humilhou” e “deixou claro que não queria seu apoio”.


Vídeo de Michelle racha a família Bolsonaro

  • Em vídeo divulgado em 24 de junho, Michelle Bolsonaro afirmou que o desgaste com Flávio Bolsonaro teve início no fim de 2025, durante debates sobre estratégias eleitorais do PL, especialmente no Ceará.
  • A ex-primeira-dama era contrária à aproximação de lideranças do PL com o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes, enquanto Flávio defendia a articulação política.
  • Michelle relatou ter sido “humilhada”, “maltratada” e “desrespeitada” por Flávio durante uma ligação telefônica.
  • Segundo o relato, o senador teria afirmado que Michelle deveria se manter afastada das decisões partidárias e que sua experiência política recente não a credenciaria a opinar sobre as articulações do PL.
  • Michelle também declarou ter interpretado a conversa como um sinal de que seu apoio político não era valorizado.
  • A ex-primeira-dama acusou aliados de Flávio de promoverem ataques contra sua imagem nas redes sociais e classificou o episódio como uma “punhalada nas costas”.
  • Após a repercussão, Flávio Bolsonaro divulgou nota afirmando que não teve a intenção de ofender Michelle e pediu desculpas caso ela tenha se sentido desrespeitada.
  • O senador destacou a importância de Michelle para o PL Mulher e para o cuidado com Jair Bolsonaro, além de afirmar que sua prioridade era preservar a união familiar.
  • Dias depois, durante agenda de pré-campanha, Flávio declarou que o episódio era uma “página virada”, evitou novas polêmicas e afirmou que o assunto estava superado.

Michelle tem dito a aliados que a demora em bater o martelo se dá por múltiplos fatores, o principal deles sendo a prisão domiciliar do marido. Bolsonaro está sob medicação e precisa de atenção médica constante, o que serviu de embasamento para a concessão e manutenção do regime.

Antes mesmo de qualquer campanha, Michelle Bolsonaro já dividia a rotina entre o PL Mulher e Bolsonaro, e foi durante uma agenda do partido que o ex-presidente tentou violar a tornozeleira eletrônica e acabou sendo preso e levado para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, em novembro de 2025.

Michelle tem repetido para aliados que tem ressalvas sobre os impactos de uma campanha na saúde do marido. Ela teme que o episódio de novembro de 2025 se repita, com Bolsonaro fazendo algo que acarrete na revogação da domiciliar, e que ela seja culpada pela ala mais radical do bolsonarismo — como ocorreu no ano passado.

Michelle tem reclamado de críticas e ataques que recebe de aliados dos enteados por questionar a aliança do PL com Ciro Gomes  (PSDB) no Ceará. A senadora e aliada Damares Alves (Republicanos-DF) disse que a “amiga e irmã” foi alvo de críticas de cunho pessoal, imagens geradas por inteligência artificial e, inclusive, questionamentos se Laura Bolsonaro seria filha do ex-presidente.

“Vocês não têm ideia do que fizeram com a Michelle Bolsonaro nesses últimos dias. As imagens, a inteligência artificial, a manipulação de imagens. Mas atacaram a filha dela também. Duvidam, inclusive, de que a menina seja filha do ex-presidente da República”, disse.