Big Five: reserva abriga e monitora cinco maiores mamíferos do Cerrado
Todas as cinco espécies são consideradas emblemáticas do bioma e estão ameaçadas de extinção. Registros foram feitos em Niquelândia (GO)
atualizado
Compartilhar notícia

Goiânia – Considerados os “Big Five” do Cerrado, termo utilizado na Reserva Legado Verdes para se referir aos cinco maiores mamíferos do bioma, os animais habitam o local de propriedade da Companhia Brasileira de Alumínio, em Niquelândia, no norte goiano. Onça-pintada, tatu-canastra, anta, lobo-guará e tamanduá-bandeira fazem o ambiente de refúgio e abrigo.
Veja vídeo:
Os animais foram descobertos no local durante balanço do projeto Monitoramento Participativa da Biodiversidade. O projeto é realizado desde novembro de 2020 com o objetivo de realizar o levantamento de espécies no território.
Instaladas em 25 pontos estratégicos da reserva, as armadilhas fotográficas, também chamadas de câmeras-trap ou câmeras de monitoramento de fauna, permitem entender quais animais podem ser encontrados no Legado.
Origem do termo
- O termo vem da África, que se referia aos cinco animais mais difíceis de serem caçados: rinoceronte-branco, búfalo-africano, elefante, leopardo e leão, conforme explica Stephanie Simoni, bióloga do Onçafari, associação criada para estudo e conservação da vida selvagem e parceira da Reservas Votorantim.
- Segundo ela, com o tempo, o termo foi incorporado por campanhas de marketing de agências de turismo pelo mundo todo para se referir aos cinco maiores animais de uma localidade ou bioma.
- Ainda segundo a bióloga, não há um consenso e cada local por elencar os seus Big Five de acordo com a fauna local. “O importante mesmo é essa virada de chave: um termo que era usado para matar os animais, agora atrai pessoas para fotografá-los em safaris ou atividades de observação de fauna, gerando recurso para contribuir com a conservação das espécies”, contextualiza.
Conheça os Big Five do Cerrado
Onça-pintada, o maior felino das Américas
É considerada uma espécie bioindicadora, ou seja, a sua presença é um indicativo da qualidade do ambiente, segundo Stephanie. Isso porque é um animal sensível a mudanças no ambiente e precisa de grandes áreas para sobreviver.
No Cerrado, de acordo com a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção do ICMBio, a onça-pintada está classificada como “Em Perigo”. As populações da espécie neste bioma foram reduzidas em mais de 50% nos últimos 25 anos, portanto, a longo prazo, podem ser extintas caso não haja esforços de conservação.
No Legado Verdes do Cerrado o animal já foi registrado diversas vezes, inclusive na sua variação com melanismo, ou seja, a onça-preta, ou pantera do Cerrado como também é conhecida.
Tatu-canastra, o maior tatu do mundo
A espécie foi registrada pela primeira vez em 2023 no Legado Verdes do Cerrado. De acordo com o pesquisador Dr. Arnaud Desbiez, do Projeto de Conservação do Tatu-Canastra, que auxiliou na identificação do registro, os indivíduos dessa espécie chegam a medir cerca de 1,5 metros da ponta do focinho (nariz) até a ponta da cauda, e pesam, em média, 50 quilos.
Outra característica que impressiona neste tatu é o tamanho da sua terceira garra (unha), que pode chegar a 15 centímetros, sendo maior que as de um urso-polar, um dos maiores do mundo. O pesquisador se refere ao tatu-canastra como “fóssil vivo” devido à armadura que cobre o seu corpo, que é bem grossa e robusta, conferindo ao animal uma aparência que remete aos dinossauros.
No Cerrado, o estado de conservação do tatu-canastra é classificado como “Vulnerável”. No entanto, Desbiez alerta que a espécie “resiste isolada em remanescentes de Cerrado e que, provavelmente, as populações no bioma são pequenas e inviáveis, e podem desaparecer se não forem protegidas”.
Anta, o maior mamífero terrestre das América do Sul
Considerada a “jardineira da floresta” por pesquisadores, a anta é uma aliada na renovação da floresta por dispersar sementes por meio da sua dieta, composta principalmente por frutos e vegetais. As fêmeas, normalmente, são maiores que machos, e um adulto pesa de 180 a 300 quilos, e chega até 2 metros de comprimento.
Mas, no Cerrado, os indivíduos costumam ser menores, chegando até 250 quilos. Possuem hábitos tipicamente noturnos e solitários, e a gestação da anta dura cerca de 380 dias e gera apenas um filhote por vez.
No Cerrado, de acordo com a Lista Vermelha, a anta é classificada como “Em Perigo”, o segundo estado de conservação mais grave para as espécies na natureza, sendo a pior a de Criticamente em Perigo. No Legado Verdes do Cerrado, é muito avistada nas câmeras de monitoramento e em encontros diretos.
Lobo-guará, o maior canídeo sul-americano
Sua pelagem avermelhada e pernas longas e finas, que dão a ele quase 1 metro de altura, o tornam um animal único no Cerrado. Possui orelhas bem grandes, semelhantes a algumas raposas, que amplificam o som e o ajudam a localizar as suas presas. Embora se alimentem de outros animais, boa parte da sua dieta é composta por frutos, segundo Stephanie Simoni, bióloga do Onçafari.
Na lista brasileira de espécie ameaçadas, o estado de conservação do lobo-guará é classificado como “Vulnerável”. No Legado Verdes do Cerrado, os vídeos do monitoramento mostram o animal em diferentes situações: em caminhada lenta, correndo e até em casal, com registros durante o dia e a noite.
Tamanduá-bandeira, o maior dos tamanduás
Com cerca de até 2,20 metros de comprimento, com até 45 quilos, o tamanduá-bandeira tem uma cauda longa e pelagem característica, com uma faixa preta com bordas brancas que inicia no peito e vai até o dorso (coluna, parte superior das costas).
Além da coloração, o tamanduá-bandeira também se destaca pelo focinho alongado e língua que se estende para fora da boca (chegando a 60 centímetros), usada para pegar cupins e formigas, que compõem boa parte da sua alimentação. Uma curiosidade é que o tamanduá-bandeira não tem dentes. A espécie gera apenas um filhote por gestação.
O tamanduá-bandeira, originalmente, era encontrado em todo território brasileiro, mas já foi extinto no Rio de Janeiro e Espírito Santo. Seu estado de conservação no Brasil é considerado “Vulnerável”. No Legado Verdes do Cerrado, o animal já foi registrado pelas câmeras de monitoramento de fauna e por funcionários.










