Barros processará Renan por denunciação caluniosa e abuso de autoridade
No relatório da CPI da Covid, Ricardo Barros, líder do Governo na Câmara, é citado mais vezes do que o presidente Jair Bolsonaro

O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) anunciou que irá processar o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid-19, por abuso de autoridade e denunciação caluniosa. A última versão do relatório de Calheiros cita o líder do governo na Câmara mais vezes que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Enquanto o chefe do Executivo é lembrado 79 vezes pelo emedebista no documento de 1.178 páginas, o deputado federal tem 91 menções.
“O senador Renan Calheiros não engoliu minha participação na CPI, que desmoralizou documentalmente a narrativa da CPI da Pandemia. E não tendo encontrado ninguém que confirmasse minha participação na Covaxin, quer produzir denúncia sobre a gestão no Ministério da Saúde, período anterior à pandemia. Vou processá-lo por abuso de autoridade e denunciação caluniosa”, informou Barros, em nota.

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O relator da comissão parlamentar destinou cinco subcapítulos do texto para tratar especificamente do suposto envolvimento de Barros com negociações do Ministério da Saúde – pasta que comandou durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). Em contrapartida, as citações ao nome de Bolsonaro aparecem ao longo de todo relatório, em diferentes momentos contextualizados pelo autor.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOs capítulos esmiúçam, segundo Calheiros, a relação do deputado federal com o mercado de medicamentos e de vacinas, em suposto esquema voltado a beneficiar empresas de parceiros e em prol de benefício próprio. O senador acredita que a rede de troca de favores possa ter começado após a participação de Barros no comando da Saúde.
Em um dos subcapítulos, Calheiros aborda o envolvimento do líder do governo com o setor empresarial, em especial com farmacêuticas. Segundo informações encaminhadas pela Receita Federal ao colegiado, Barros tem participação societária em mais de 20 empresas. Em uma delas, a RC1, o deputado apresenta 50% das participações, enquanto a esposa, Maria Aparecida Borghetti, assume o restante.
O documento aponta que, em 2017, ano em que Barros era ministro da Saúde, a empresa em questão auferiu receita bruta no valor de R$ 1.781.166,62, sem emitir ou receber nenhuma nota fiscal. Na ocasião, as análises de documentos mostram que a empresa tinha registrado apenas um empregado, segundo consta no documento.
Nos dois anos seguintes, a RC1 não obteve faturamento e tinha, nos respectivos anos, um e três empregados. Em 2019, a companhia distribuiu R$ 1.330.714,42 a título de dividendos, sendo R$ 1.197.642,98 para Barros e R$ 133.071,44 para sua sócia e esposa.
Uma outra empresa de Barros, a BB Corretora Ltda, também apresentou lucro elevado e ressalvado em relatório da Receita Federal. Com apenas 4 funcionários, faturou, somente em 2019, R$ 2.305.000,00, sem emitir qualquer nota fiscal. No mesmo período, distribuiu ao deputado R$ 1.850.110,00, a título de lucro/dividendo.
“Não há nada errado em relação às empresas citadas no relatório da CPI da Pandemia. São empresas patrimoniais, incorporadoras constituídas para comercializar imóveis, elas vendem patrimônio, não fatura no mercado. A BB Corretora é uma imobiliária, que faz negócio em parceria com outras imobiliárias. Portanto o quadro funcional das empresas é irrelevante e sem relação alguma com o faturamento”, diz ainda o texto de Ricardo Barros enviado ao Metrópoles.
Esta mesma sociedade empresarial, de acordo com o relatório, foi autuada pela Receita Federal no período de 2013 a 2015, lançamento que segue em discussão no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).
As mesmas características se repetem em outra companhia de posse do deputado: a RC4 Incorporações. Nos últimos dois anos, foram R$ 2,2 milhões de lucro, com apenas um funcionário lotado na companhia e sem emitir ou receber notas. A empresa também foi autuada em R$ 6.489.038,27, relativamente a operações realizadas no período de 2013 a 2015.
Há, ainda, uma terceira empresa em nome de Barros e citada no relatório da Receita Federal, a Mineralizadora Fonte de Luz Ltda. A companhia emitiu R$ 308 mil em notas fiscais de 2016 a 2019, sem nenhuma nota de entrada.
De acordo com o relator da CPI, pelo menos uma dezena de empresas em nome do deputado seguem abertas, sem funcionários e sem faturamento, segundo apontam as análises.











