Bancos saem em defesa do Pix após pressão dos EUA em meio a tarifaço
Instituições financeiras reagem a críticas americanas e dizem que sistema brasileiro aumenta competição e reduz custos
atualizado
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A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) defendeu a soberania do Pix após o sistema de pagamentos ser citado por autoridades dos Estados Unidos em meio às discussões comerciais que envolvem um possível tarifaço contra o Brasil.
Em nota, a entidade afirma que o Pix é uma “infraestrutura pública de pagamento, e não um produto comercial”, e que seu modelo é aberto e não discriminatório, permitindo a participação de instituições nacionais e estrangeiras que operam no país.
Segundo a Febraban, as críticas feitas pelo governo americano decorrem de uma compreensão incompleta sobre os objetivos e o funcionamento do sistema brasileiro. A federação diz esperar que esclarecimentos do Banco Central (BC) e das instituições financeiras, inclusive estrangeiras, ajudem a reduzir as dúvidas levantadas pelos EUA.
A entidade também reforça que o Pix favorece a concorrência e contribui para o bom funcionamento do sistema financeiro, ao ampliar o acesso a serviços de pagamento e reduzir custos para usuários.
“O Pix tem contribuído enormemente para a inclusão financeira, reduzindo o custo e ampliando o alcance do sistema de pagamentos, que já era bastante eficiente em nosso país. Para as empresas, o Pix ajuda na eficiência, facilitando o processo de recebimento e cobrança, em especial nas operações de baixos valores”, disse em nota.
Investigações
O posicionamento ocorre após o sistema ser mencionado em investigações comerciais conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que avalia possíveis práticas consideradas desleais por parte do Brasil, incluindo o suposto favorecimento a soluções nacionais de pagamento.
Criado pelo BC, o Pix se consolidou como o principal meio de pagamento do país e movimenta trilhões de reais por mês, com ampla adesão da população e das empresas.
A defesa do sistema financeiro brasileiro busca afastar a ideia de que o Pix represente uma barreira de mercado, em um momento em que a ferramenta passa a integrar uma disputa comercial mais ampla entre Brasil e Estados Unidos.
Ainda assim, a Febraban disse ter boas expectativas da audiência pública que será realizada no dia 6 de junho para tratar sobre a possível taxação.
“No âmbito do sistema de audiência pública, que continua aberto pelo USTR, as contribuições do Banco Central do Brasil e dos integrantes do sistema bancário brasileiro, incluindo os bancos americanos, vão ajudar no esclarecimento das conclusões do órgão americano de comércio”.