Após perder mãe, pai, avó e bisavó para a Covid-19, jovem assume cuidado dos irmãos mais novos

Após a morte dos familiares da garota, o governador do estado, Helder Barbalho, solicitou à Saude mais doses da vacina contra o vírus

atualizado 22/01/2021 16:55

ZaynnyReprodução/ Redes Sociais

Para Zaynny Paulain, de 19 anos, a vida se tornou uma prova de amor. Devido à falta de oxigênio e às complicações desencadeadas pela contaminação do novo coronavírus, a garota perdeu a mãe, o pai, a avó e a bisavó. Assim, Zaynny precisou restaurar a força para cuidar dos irmãos, um de 12 e um de 16 anos.

Zaynny nasceu no Distrito Maracanã, no Faro (PA) e lá viveu boa parte da adolescência com a família. No entanto, para ajudar com as finanças de casa foi à procura de emprego e de novas oportunidades de estudo em Manaus (AM).

As redes sociais, desde a primeira infecção pela doença na família, serviram como lugar de aconchego para Zaynny compartilhar publicações pedindo orações, bons pensamentos e energias para que os familiares se curassem da Covid-19. “Sopra Senhor no pulmão de todos que estão precisando de ar nesse momento! Força meus pais e minha vó que estão internados”, escreveu a menina no perfil on-line.

A primeira vítima da doença na família da jovem foi a bisavó Inacia Guerreiro Paulain; em seguida, Zaynny perdeu a avó Maria Varella Guerreiro. Poucas semanas depois, Ela viu a mãe, Elriane Guerreiro Paulain, e o pai, Zander Pereira Batista, sucumbirem à doença, em 19 de janeiro.

Sem chão, Zaynny, que estava em Manaus ainda, recebeu ajuda dos amigos mais próximos para retornar à cidade natal e ao menos participar do enterro dos familiares. Contudo, a garota não chegou a tempo para a homenagem.

Os estudos e o emprego ficaram em segundo plano. O que Zaynny mais presa no momento, agora que se tornou órfã, é cuidar dos irmãos e da família que está no Distrito Maracanã.

“Descansem em paz, meus pais. Eu estou arrasada com tudo e sei que vocês iriam viver muito tristes um separado do outro. Por isso, eu estou tentando entender a ida de vocês. Eu estou sofrendo muito, muito, muito, mesmo. Estou buscando forças que eu achava que não tinha, mas acredito que são vocês segurando minha mão. Meu pai, eu necessito de sua força, meu amor! Mãe, eu necessito de todo seu amor e carinho para lidar com meus irmãos e lidar com tudo isso. Eu amarei vocês eternamente e os honrarei até o final de minha vida. Não vai ser fácil, mas eu vou conseguir seguir firme com meus irmãos; eles precisam de mim”, declarou a menina pelas redes sociais.

Falta de oxigênio

Desde a última semana, diversas pessoas morreram em razão da falta de cilindros de oxigênio em regiões do Pará e do Amazonas. De acordo com a prefeitura de Faro, o hospital municipal havia recebido apenas 8 cilindros e, destes, 5 estavam cheios e prontos para uso.

A vila onde Zaynny e sua família vivem não recebeu insumos suficientes para lidar com a quantidade de pacientes graves contaminados pela Covid-19. Além disso, a estrutura dos hospitais e postos de saúde da região não deu conta da crise gerada pela pandemia. Estima-se que, nesta sexta-feira (22/1), haja pelo menos 35 pacientes internados com quadro clínico de saúde grave e delicado, segundo o governo estadual.

Após a morte dos familiares da garota, o governo estadual enviou 30 cilindros de oxigênio para o Distrito Maracanã. O material chegou à região transportado por meio do barco-hospital Papa Francisco, na última quinta (21/1).

Nesta sexta, o governador do Pará, Helder Barbalho, solicitou ao Ministério da Saúde doses extras da vacina contra o novo coronavírus para serem entregues às unidades de saúde nos municípios do interior do Pará, com divisa com o Amazonas, como a região de Faro. O pedido do governador foi aceito pelo ministério.

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