Após megaoperação no Rio, Haddad diz que governador “deveria acordar”
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrou atuação mais forte e integrada do governo do Rio de Janeiro no combate ao crime organizado
atualizado
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (29/10) que o governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL-RJ), deveria “acordar” para a questão da segurança pública no estado. A declaração vem um dia após a megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, já considerada a mais letal da história do estado, com 64 mortos — incluindo quatro policiais — e 81 presos.
De acordo com o ministro, que falou durante sua chegada ao Ministério da Fazenda, Castro deveria ajudar o governo federal no combate ao crime organizado, mas não é o que acontece.
“O governo do Estado do Rio tem feito praticamente nada com relação ao contrabando de combustível, que é como você irriga o crime organizado, então para você pegar o andar de cima do crime organizado, que é quem efetivamente tem o dinheiro na mão, você tem que combater da onde está vindo o dinheiro”, disse.
De acordo com Haddad, no caso do Rio de Janeiro, todos sabem que o dinheiro do crime organizado vem, principalmente, do contrabando de combustível, da fraude tributária, da simulação de refino e da distribuição de combustível batizado.
“Eu penso que o governador deveria acordar para esse problema que é crônico no Rio de Janeiro e nos ajudar, ajudar a Receita Federal a combater o andar de cima, porque, quando o dinheiro está irrigando o crime, é muito difícil na ponta conseguir controlar, sem dinheiro, eles têm pouca capacidade de atuação”, avaliou o ministro.
Haddad cobrou, ainda, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que está em tramitação na Câmara dos Deputados, para que os governos e órgãos federais tenham integração para combater o crime organizado.
Conheça os principais pontos estabelecidos pela PEC da Segurança Pública:
- Criação de diretrizes sobre o sistema penitenciário.
- Atualização das competências da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
- Constitucionalização dos fundos nacionais de Segurança Pública e Política Penitenciária.
- Fixação das atribuições das guardas municipais.
- Criação de corregedorias e ouvidorias dotadas de autonomia funcional.
