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Brasil

Após denúncias de Damares, CPMI ainda não mirou pastores e igrejas

a maioria dos requerimentos para convites a oitivas e quebra de sigilos bancários não foi aprovada

20/01/2026 19:52, atualizado 20/01/2026 20:45
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Reprodução
Damares Alves

Apesar de a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) ter feito denúncias de igrejas e pastores que são citados no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a maioria dos requerimentos para convites a oitivas e quebra de sigilos bancários não foi aprovada.

Da lista que a senadora eleita pelo Distrito Federal (DF) divulgou, apenas dois deles foram aprovados para serem discutidos no colegiado.

São eles:

  • Adoração Church — Alvo de pedido de quebra de sigilo.
  • Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo — Alvo de pedido de quebra de sigilo.

Todos os requerimentos relacionados à investigação de pastores e igrejas foram protocolados pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG). Ao Metrópoles o deputado mineiro declarou que reforçará esses pedidos de convite e de quebra de sigilos assim que a CPMI retornar aos trabalhos. Afirmou ainda que conta com o apoio de Damares e disse que pretende convocar o pastor Silas Malafaia para depor ao colegiado.


A desavença entre Damares e Malafaia

  • O imbróglio entre os dois começou depois de declarações da senadora em uma entrevista, em que afirmou que há “grandes igrejas” envolvidas no esquema de fraudes do INSS.
  • Damares disse que o tema “machuca muito” e sugeriu a participação de entidades religiosas na investigação das fraudes.
  • O pastor Silas Malafaia reagiu à fala da parlamentar e publicou um vídeo cobrando que Damares se explique, apresente formas ou esclareça a quem se referia.
  • O líder religioso chegou a falar que a senadora não passa de uma “leviana linguaruda”.
  • A parlamentar reagiu à fala do pastor com a divulgação das igrejas e pastores investigados. Ainda assim, voltou a ser alvo de Silas Malafaia.

“A Damares mente. Primeiro, porque ela diz que há grandes igrejas, e não há. Segundo, ela está desafiada a dar o nome de líderes e de pastores evangélicos que fizeram lobby para ela se calar, como se esse documento fosse secreto. Ela quer tirar vantagem política daquilo que não fez, porque não é ela que denuncia”, declarou Malafaia em um vídeo publicado no X (antigo Twitter).

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Deiviane Linhares/Metrópoles
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KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

Todos esses requerimentos foram apresentados por membros da CPMI com base em indícios concretos identificados em documentos oficiais, especialmente Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) e informações da Receita Federal do Brasil.

Há outros requerimentos que não foram aprovados ou apreciados na comissão mista para a convocação de pastores e igrejas denunciados por Damares. Leia a lista das que ainda não foram discutidas:

Igrejas:

  • Ministério Deus é Fiel Church — Alvo de pedido de quebra de sigilo.
  • Igreja Evangélica Campo de Anatote — Alvo de pedido de quebra de sigilo.

Pastores:

  • Cesar Belucci — Convidado a comparecer à CPMI.
  • André Machado Valadão — Convidado a comparecer à CPMI e alvo de pedido de quebra de sigilo.
  • Péricles Albino Gonçalves — Convidado a comparecer à CPMI.
  • Fabiano Campos Zettel — Convidado a comparecer à CPMI.
  • André Fernandes — Convidado a comparecer à CPMI.

CPMI DO INSS

escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.

As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.